A 99 e o iFood estão levando a eletrificação das motocicletas um passo além, buscando transformar o mercado brasileiro de motos elétricas. Inspiradas no impacto da BYD no segmento de carros elétricos, as duas empresas não se contentam em apenas eletrificar suas frotas, mas desejam estabelecer uma cadeia industrial robusta no país.
Esse movimento visa abordar a ausência de uma indústria sólida para motos elétricas no Brasil. Em vez de montar uma fábrica imediatamente, o investimento atual, que supera R$ 45 milhões de cada empresa, busca reduzir os riscos para novos investidores e criar uma base para futuros desenvolvimentos.
Bruno Aranha, da YvY Capital, e Thiago Hipólito, diretor de inovação da 99, destacam que a demanda por motos elétricas não é um problema, mas sim a falta de uma cadeia produtiva eficiente. O mercado de automóveis já possui grandes fabricantes globais, mas o setor de motos ainda precisa de desenvolvimento.
Para entender melhor o mercado, a 99 realizou testes com diferentes modelos de motos elétricas, submetendo-as a condições reais de uso, como trânsito em ladeiras e longas jornadas. Essas experiências revelaram a inadequação de muitos modelos chineses para a realidade urbana brasileira.
Esse desafio foi transformado em oportunidade através de uma parceria com a Yadea, renomada fabricante de scooters. A ideia não é importar modelos prontos, mas adaptar projetos existentes para atender as especificidades do mercado nacional, incluindo mudanças em autonomia e resistência estrutural.
A estratégia não se limita a criar uma única fabricante, mas sim estabelecer um ecossistema colaborativo que engloba locadoras, empresas de tecnologia e operadoras de infraestruturas de troca de baterias. Isso é crucial para acelerar todo o setor de motos elétricas, beneficiando um grande número de profissionais.
Com cerca de 30 milhões de motos em circulação no Brasil, das quais 10% geram renda, as motos elétricas têm o potencial de reduzir significativamente os custos operacionais. As economias podem variar de 30% a 60% em combustível e manutenção, aumentando a renda líquida dos profissionais.
Embora o projeto comece com componentes importados, o plano é aumentar gradativamente a participação de fornecedores brasileiros, apostando na Zona Franca de Manaus, São Paulo e Santa Catarina como possíveis locais para essa indústria nascente. O projeto visa criar uma plataforma comum, otimizando toda a cadeia e facilitando o crescimento desse mercado inovador.





