Funcionárias são vítimas de injúria racial em pet shop em Salvador

A Polícia Civil da Bahia investiga um caso de injúria racial, agressão e ameaça ocorrido em um pet shop no bairro do Imbuí, em Salvador, no último sábado, 4. As vítimas são funcionárias do estabelecimento, que relataram terem sido ofendidas por uma cliente.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a mulher, que se identificava como juíza, dirigindo ofensas às funcionárias. Entre as frases proferidas, estariam “eu poderia te dar ordem de prisão” e “vocês vão sofrer as consequências”, além de insultos como “petista, baixa e preta”. Em determinado momento, a cliente é vista agredindo fisicamente uma das colaboradoras que a filmava.

A gerente e duas funcionárias do pet shop afirmaram à polícia terem sido vítimas de agressões, injúrias raciais e ameaças. Uma delas relatou que a cliente utilizou expressões racistas contra ela. Por outro lado, a acusada alegou ter sido xingada, agredida por funcionários e seguranças da loja, além de ter sido filmada sem consentimento.

A Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB) esclareceu, em nota, que a mulher envolvida não pertence à Magistratura Baiana e repudiou qualquer prática de racismo. O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) também manifestou repúdio.

A cliente, cuja identidade não foi divulgada, foi identificada como funcionária da Rede Mater Dei, que informou ter afastado a colaboradora e instaurado uma sindicância interna para apurar os fatos. A empresa reiterou seu posicionamento contrário a qualquer forma de discriminação.

O Grupo Petz, proprietário do pet shop, emitiu nota de repúdio às atitudes de discriminação racial, social e política. A empresa destacou que está prestando apoio jurídico e psicológico às funcionárias envolvidas.

O caso foi registrado na 9ª Delegacia Territorial da Boca do Rio e está sendo investigado como injúria racial, lesão corporal culposa e ameaça.

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Denúncias de violações aos direitos humanos aumentam 22% em um ano

Em 2024, o Disque 100 recebeu mais de 657,2 mil denúncias de violações aos direitos humanos. O número é 22,6% superior ao registrado em 2023, quando o canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania foi acionado 536,1 mil vezes.

Segundo o ministério, o total de violações verificadas também aumentou, saltando de 3,4 milhões, em 2023, para 4,3 milhões, em 2024. Cada denúncia pode resultar em mais de tipo de violação.

Entre as infrações mais recorrentes estão a violação à integridade por negligência, com 464,3 mil ocorrências; tortura psíquica (389,3 mil) e a violação à integridade física com exposição de risco à saúde (368,7 mil).

A maioria das vítimas das denúncias é do gênero feminino (372,3 mil), pessoas brancas (261,6 mil), e com idade entre 70 e 74 anos (32,5 mil). Na maioria dos casos, as violações ocorreram na casa da própria vítima e/ou do suspeito (301,4 mil). Entre os grupos mais vulneráveis estão crianças e adolescentes (289,4 mil), pessoas idosas (179,6 mil) e mulheres (111,6 mil).

Apesar da vulnerabilidade, o total de vítimas do gênero feminino foi 2,9% menor que o registrado em 2023. Por outro lado, em 2024, o perfil do agressor mudou: as mulheres (283,1 mil) passaram a liderar o gênero do suspeito de agressão, configurando um aumento de 28,8% em comparação a 2023.

As agressoras ou os agressores são, majoritariamente, da cor branca (172,9 mil) e têm entre 30 e 34 anos de idade (65,8 mil). Em geral, os principais suspeitos de cometerem agressões têm parentesco de primeiro grau com a vítima: mães (160,8 mil), filhos ou filhas (108,8 mil) e pais (49,2 mil).

No topo da lista das unidades federativas com maior número de denúncias estão São Paulo (174,6 mil), Rio de Janeiro (83,1 mil) e Minas Gerais (72,8 mil). Estes estados também respondem pelo maior número de violações de direitos humanos – definidas como qualquer fato que atente ou viole os direitos de uma vítima –, com 1,17 milhão; 562,1 mil; e 490,6 mil, respectivamente.

Disque 100

O Disque Direitos Humanos – Disque 100 é um serviço de utilidade pública. Qualquer pessoa pode comunicar algum fato relacionado a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento.

As denúncias podem ser feitas por diferentes plataformas: além das ligações telefônicas gratuitas para o número 100, também é possível mandar mensagem pelo Whatsapp (61) 99611-0100 e pelo Telegram (digitar “direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo).

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva podem fazer denúncias por videochamada em Língua Brasileira de Sinais no seguinte site: https://atendelibras.mdh.gov.br/acesso

As denúncias são encaminhadas aos órgãos de proteção e de apuração, como conselhos estaduais, Centros de Referência Especializados de Assistência Social, delegacias, Ministério Público, entre outros.

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