Saída de Nísia tem melancolia nos corredores e previsão de transição calma
Funcionários da pasta admitiam que a atual gestão custou a atender às expectativas
Confirmada a troca de comando no Ministério da Saúde, a equipe de Nísia Trindade passou o fim da tarde desta terça-feira (25) especulando sobre a transição para a chegada de Alexandre Padilha. Até o anúncio, o segundo escalão do ministério seguia no escuro.
Parte da equipe achou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia até confirmar a troca enquanto estava no palco ao lado de Nísia nesta tarde, para anunciar a produção de vacinas contra a dengue. Mas a noticia só chegou mesmo no fim do expediente. Nos bastidores, apesar do clima de melancolia e do incômodo com a fritura da ministra, funcionários da pasta admitiam que a atual gestão custou a atender às expectativas.
Integrantes do segundo escalão lembraram que Lula chegou a “pegar a ministra pela mão”. Àquela altura, estava dando uma chance à ministra. Ao menos foi assim que seus auxiliares entenderam. Mas pouco mudou no dia a dia da pasta desde então, afirmam interlocutores de Nísia. Neste momento, há no ministério quem se diga otimista com a mudança. Uma aposta que circulava na pasta logo após o anúncio é que Padilha dificilmente fará um desmonte da equipe e tende a trabalhar pela continuidade, adicionando uma “pegada política” à gestão.
Esse era o tom das conversas no fim do dia, quando diretores do ministério foram reunidos para uma conversa sobre a mudança de comando na pasta. Apesar da expectativa de que Padilha traga novo fôlego ao ministério, funcionários da pasta queixavam-se da forma como a demissão de Nísia foi alardeada sem que sua saída fosse oficializada. A tese é que Lula até tentou amenizar o constrangimento da auxiliar nesta terça-feira, mas que poderia ter combinado o jogo previamente com a ministra para poupá-la do desgaste.