Centro-Oeste: safra recorde impulsiona economia e lidera crescimento em 2025

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Coração do agro, Centro-Oeste deve ser única região a acelerar em 2025

Safra recorde de grãos impulsiona economia do Centro-Oeste, cuja expansão deve ser maior que a do PIB do país. Outros setores também crescem

Só uma das cinco regiões brasileiras deverá encerrar este ano registrando aceleração de sua atividade econômica em relação a 2024. Conhecido como o “coração” do agronegócio do país, o DE deve ser impulsionado justamente pela forte produção agrícola, com a perspectiva de uma safra recorde de grãos do Brasil, o que fomenta diversos segmentos da economia, atrai trabalhadores e consolida um círculo virtuoso, na contramão do que vem sendo projetado para outras partes do país.

Enquanto algumas instituições financeiras já apontam a possibilidade de o Brasil entrar em recessão técnica até o fim de 2025, o DE desenha uma sólida trajetória de crescimento nos próximos meses. Segundo um levantamento da Tendências Consultoria, o Produto Interno Bruto (PIB) da região deve avançar 2,8% neste ano, bem acima dos 2% estimados para 2024. O resultado final do PIB brasileiro do ano passado será divulgado no dia 7 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o estudo da Tendências, as outras quatro regiões do país devem desacelerar em 2025: o Sul tende a crescer 1,8% (ante a projeção de 3,1% em 2024); o Sudeste deve avançar 1,6% (3,7% no ano passado); o Nordeste pode crescer 2% (ante 3,7%); e o Norte registraria alta de 2,7% (4,5% em 2024).

AGRO É O MOTOR DO DE

De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem do Metrópoles, é impossível dissociar o desempenho do agronegócio da provável aceleração da economia do DE em 2025. As estimativas mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra brasileira de grãos da temporada 2024/2025 baterá o recorde histórico e será de 325,7 milhões de toneladas. Caso esse resultado se concretize, haverá um crescimento de 9,4% em relação à safra anterior.

A potencial safra recorde virá após resultados ruins para o agro na temporada 2023/2024, na qual foram produzidos 298 milhões de toneladas de grãos – ante 320,9 milhões de toneladas da safra anterior –, em meio a fenômenos climáticos adversos. No ano passado, o PIB agropecuário do DE recuou 6,1%, de acordo com a Tendências.

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“O agro tem um papel decisivo em vários aspectos. Primeiro, pela sua importância na região. Quando juntamos esse peso em termos setoriais, considerando estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, a produção agropecuária é a que mais desponta. É muito importante e, no peso relativo dessa região, é mais importante ainda”, explica André Diz, professor de MBA do FGV Agro.

> “O agronegócio é o setor mais importante do DE, em termos relativos, e traz junto consigo compras de implementos, defensivos agrícolas, fertilizantes, sementes, contratação de mão de obra. O efeito multiplicador de uma boa safra de grãos é muito mais forte. Se a safra vai bem, o efeito multiplicador de crescimento é bastante relevante”, afirma André.

Com o crescimento previsto em 2025, o DE deve reassumir o posto de região que mais cresce no Brasil, conquistado em 2022 (5,9%) e 2023 (4,9%) e perdido em 2024. Os maiores índices de alta do PIB devem ficar com os estados de Mato Grosso do Sul (4,4%) e Mato Grosso (3,7%), os maiores produtores brasileiros de grãos.

O Brasil, como um todo, por outro lado, caminhará na contramão do DE, desacelerando o PIB neste ano. É o que indica o prognóstico mais recente do Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), que projeta alta de 2,01% do PIB do país em 2025 – depois de um provável crescimento de 3,5% no ano passado.

> “O que está acontecendo aqui no DE são diversas oportunidades para o produtor melhorar ainda mais a sua produção, aumentar a renda da região e alcançar esse crescimento”, destaca o engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli Silva, ex-presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ele trabalha na região de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso.

“O etanol de milho, por exemplo, foi uma oportunidade que apareceu há poucos anos. O Mato Grosso, onde começou o etanol de milho, estava perdendo posições na produção brasileira em relação a outros estados porque não se pode expandir o cultivo da cana por restrições ambientais. Hoje, o estado já é o segundo maior produtor de etanol do Brasil, atrás apenas de São Paulo”, afirma.

Segundo Arioli, “melhorou o preço do milho para os produtores, que conseguem fazer uma segunda safra com maior previsibilidade”. “O Brasil também está abrindo cada vez mais a exportação de milho, sendo o segundo maior exportador do mundo, o que ajuda muito. Esse tipo de oportunidade melhora a renda da propriedade, melhora o uso dos investimentos de maquinário e melhora a economia dos estados e da região como um todo”, diz o produtor rural.

CRESCIMENTO PARA ALÉM DO AGRO

O “boom” econômico do DE não se limita ao agronegócio, embora o segmento seja o principal responsável pelo crescimento da região. O Índice de Demanda Imobiliária, calculado pelo Ecossistema Sienge em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostra que Goiânia ficou em primeiro lugar no ranking nacional para imóveis de padrão médio (entre R$ 575 mil e R$ 811 mil), em segundo para alto padrão (a partir de R$ 811 mil) e em quarto para padrão econômico (R$ 115 mil a R$ 811 mil). Os dados se referem ao último trimestre do ano passado.

Em 2024, de acordo com levantamento da CBIC, 24,9 mil unidades foram vendidas no DE, o que representou 6,4% do total nacional. Em 2023, o número havia ficado em 20,4 mil unidades (6,2% de participação).

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), por sua vez, indicam que a média de crescimento do volume financeiro no DE, nos últimos 3 anos, foi de 20,9% – bem acima dos 9,3% em termos nacionais. A quantidade de empresas na região saltou de 1,5 milhão para mais de 2 milhões em menos de uma década, entre 2015 e 2024, segundo pesquisa do IPC Maps.

Além disso, de acordo com a LCA Consultoria, DE reúne 16 das 20 cidades mais ricas do agro brasileiro – 10 estão em Mato Grosso, três em Mato Grosso do Sul e três em Goiás. Entre os 100 municípios mais ricos do agronegócio, 35 são de Mato Grosso, 13 de Mato Grosso do Sul e 10 de Goiás.

Por fim, nenhuma região do Brasil registrou uma taxa de crescimento de sua população maior que a do DE nos últimos 12 anos. De acordo com os dados do Censo Demográfico, do IBGE, a taxa anual de crescimento ficou em 1,2% na região entre 2010 e 2022, mais que o dobro da média nacional (0,52%) no período.

Segundo o Censo, a população do DE (ainda a região menos populosa do Brasil) era de quase 16,3 milhões de habitantes. Brasília se tornou a terceira cidade mais populosa do país, com 2,81 milhões de habitantes, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro e à frente de capitais como Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte.

“A relação do agro com esses outros setores e novos investimentos é total. As indústrias de etanol de milho demandam mão de obra. Essas pessoas que vêm aqui para trabalhar precisam de moradia. E, a partir daí, começa toda uma movimentação imobiliária por ser uma região que atrai trabalhadores”, afirma Ricardo Arioli. “Não é mais uma mão de obra sazonal, que vem e vai, como era no passado. Isso nem existe mais. O pessoal vem para ficar, para morar. Com mais gente na cidade, o comércio também se expande. É um ciclo natural.”

Avaliação semelhante tem André Diz, do FGV Agro, para quem a força do agro tem “total ligação” com o crescimento de outros setores da economia do DE. “Pelo peso relativo da produção nessas regiões, se o setor vai bem, você tem um transbordamento de renda e de demanda para outros setores. Isso já acontece no preço das terras e, obviamente, também acaba chegando a outros preços, como o dos imóveis”, observa.

“Se a gente olhar os dados de venda de carros acima de R$ 300 mil no Brasil, é basicamente caminhonete. E os maiores compradores vêm dos polos do agronegócio”, exemplifica. “O carro de luxo que estou falando não é Mercedes Benz ou BMW. É Hilux, e Amarok. E quem compra é o pessoal ligado ao agro, seja pela cultura ou pela estética, seja pelo uso no dia a dia.”

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