Trump revoga concessões ao petróleo venezuelano, afetando operações da Chevron. A medida está ligada a condições eleitorais não cumpridas por Maduro.
Introdução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025, que revogará as concessões concedidas por seu antecessor, Joe Biden, à Venezuela em 26 de novembro de 2022. Essas concessões permitiam que a petrolífera americana Chevron retomasse suas operações no país sul-americano. A decisão de Trump está vinculada a condições eleitorais dentro da Venezuela, que não foram cumpridas pelo regime de Nicolás Maduro.
Reação às Novas Medidas
Trump afirmou em sua rede social Truth Social que o acordo estava condicionado ao cumprimento de regras eleitorais na Venezuela, o que não ocorreu. O governo dos EUA não reconhece a reeleição de Maduro para um terceiro mandato, que vai de 2025 a 2031, e apoia o exilado Edmundo González Urrutia, que reivindica a vitória nas eleições presidenciais de julho passado.
Impacto Macroecônomico
A reação de Caracas foi imediata. A vice-presidente e ministra de Hidrocarbonetos, Delcy Rodríguez, classificou a decisão como “prejudicial e inexplicável”. Ela se referiu não apenas a González Urrutia, mas também a María Corina Machado, ambos vivendo na clandestinidade.
A decisão de Trump pode ter um impacto macroeconômico significativo na Venezuela, especialmente no fluxo de receita e na expectativa de câmbio, que se deteriora, e na inflação, mais do que no crescimento, segundo o economista venezuelano Asdrúbal Oliveros. No entanto, Francisco Monaldi, diretor do Programa Latino-Americano de Energia do Instituto Baker, da Universidade Rice, no Texas, recomenda cautela, pois não descarta que Trump utilize essa medida como forma de pressionar Maduro a ceder em certas exigências.
Histórico das Sanções
Em 26 de novembro de 2022, o governo de Biden flexibilizou algumas das sanções petrolíferas impostas à Venezuela em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, como parte de um esforço para apoiar negociações entre Maduro e a oposição. Na ocasião, o Departamento do Tesouro permitiu que a Chevron retomasse sua produção de forma “limitada” no país. Biden reimpôs boa parte das sanções ao petróleo e gás venezuelanos em abril de 2024, após Maduro descumprir compromissos eleitorais, mas manteve licenças individuais para algumas empresas, como a Chevron, a espanhola Repsol e a francesa Maurel & Prom.
Avaliação da Chevron
A Chevron afirmou que está avaliando as implicações da decisão de Trump, que, no dia de sua posse, já havia alertado que os EUA “provavelmente” deixariam de comprar petróleo da Venezuela.
Opções de Maduro
Diante da revogação anunciada por Trump, Maduro tem algumas opções. Se houver um cancelamento definitivo, as empresas podem continuar sem operar nem investir, mas permanecendo como sócias da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana. A PDVSA pode assumir o controle dos projetos e vender para a China com descontos maiores, mas sem precisar pagar à Chevron. Se todas as licenças forem canceladas, a única alternativa que restaria a Maduro seria recorrer ao Irã.
Consequências Previstas
Leonardo Vera, professor de Economia da Universidade Central da Venezuela, prevê consequências imediatas e de médio prazo. No mercado cambial aquecido, provavelmente veremos uma pressão maior na demanda de imediato, e o preço da dívida venezuelana certamente despencará.