“Brasília também é terra indígena”, afirmaram os povos após a operação no Noroeste. A cacique Cristiane Bororo, de 32 anos, expressou sua indignação com a ação de abertura de vias na área ocupada por povos originários, realizada pela Terracap. Segundo a comunidade, não houve aviso prévio e a Polícia Militar utilizou spray de pimenta durante a operação. A Terracap alega que a área pública está sendo ocupada de forma irregular, justificando a ação.
Cristiane, que reside na região há 32 anos, relatou que a operação para abertura de vias na futura quadra 308 pegou a comunidade de surpresa. Mulheres e idosos foram agredidos durante a ação, segundo a cacique. As famílias, compostas por membros dos povos Bororo, Fulni-ô e Xucuru, estão divididas em aproximadamente 20 famílias e não possuem para onde ir diante da situação.
De acordo com Cristiane, o governo não apresentou nenhum documento que respaldasse a operação. A comunidade se reuniu próximo às casas, mas os tratores avançaram sobre as áreas de mata. A Defensoria Pública da União também se manifestou criticando a ação e ressaltando a falta de aviso prévio.
A Polícia Militar justificou o uso do gás pimenta durante a operação, alegando resistência por parte de alguns moradores. A ação de desocupação dos indígenas no Noroeste, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, ainda está em andamento. A Terracap destacou que as ações de limpeza no local permitirão o início das obras de infraestrutura planejadas.
A Terracap também ressaltou que em uma tentativa anterior de operação semelhante na região, empregados e terceirizados foram ameaçados pelos ocupantes irregulares. A Funai alega que os ocupantes da área não foram contemplados na decisão judicial relacionada ao acordo com a Comunidade Indígena Santuário Sagrado dos Pajés. A decisão liminar também negou o pedido de manutenção de posse solicitado pelos ocupantes irregulares. Siga o Metrópoles DF no Instagram para ficar por dentro de todas as notícias do Distrito Federal.