Para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), as defesas de Bolsonaro e Braga Netto estão utilizando pedidos de impedimento como estratégia para arrastar o julgamento da trama golpista na Corte. A esperança dessas defesas é que, caso o caso seja analisado em plenário, possam contar com um pedido de vista. Segundo ministros do STF ouvidos pelo blog, as chances disso acontecer são zero.
Após a Procuradoria-Geral da República (PGR) oferecer denúncia contra os investigados pela tentativa de golpe de Estado, o advogado de Bolsonaro solicitou o impedimento de Flávio Dino e Cristiano Zanin, enquanto a defesa de Braga Netto pediu que Alexandre de Moraes seja declarado impedido e um novo relator seja indicado. As defesas alegam que os ministros têm relação direta com a ação e já moveram ações contra os investigados na Justiça. A análise desses pedidos ficará a cargo do presidente do STF, Luís Roberto Barroso.
O julgamento do caso está agendado para ocorrer na 1ª Turma do Supremo, composta por cinco ministros, incluindo Moraes, Dino e Zanin. No entanto, a defesa de Bolsonaro solicitou uma discussão sobre a competência do plenário, que possui 11 ministros. Ministros do STF entrevistados pelo blog afirmaram que é improvável que esse pedido seja aceito, defendendo a coerência da decisão. Em 2023, houve uma alteração no regimento interno da Corte, devolvendo às turmas o julgamento de denúncias e ações penais.
Alguns ministros do STF questionam se levar o julgamento para o plenário não significa que os demais casos relacionados aos mesmos fatos estão sendo julgados de forma inadequada. Existe o receio de que a mudança constante na competência de acordo com o nome do réu gere um casuísmo interminável. Além disso, há a preocupação de que tentar transferir o julgamento para o plenário possa atrasar o processo.
Os aliados de Bolsonaro estão otimistas de que os ministros indicados pelo ex-presidente, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, possam adiar as conclusões do julgamento com pedidos de vista e mais tempo para análise. No entanto, a maioria dos ministros do STF acredita que a tentativa de mudar o local de julgamento e arrastar o processo seja uma estratégia sem fundamentos consistentes. A expectativa é que o caso siga o trâmite normal e seja julgado de forma justa e eficiente.