“Falso médico é condenado a 33 anos por morte de menina em São Mateus, ES”

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Falso médico é condenado a 33 anos de prisão por morte de criança no ES

Ana Luísa, de 10 anos, morreu 20 minutos após dar entrada em um hospital
estadual do Espírito Santo. A criança foi atendida por Leonardo Luz Moreira, que
falsificou diploma de medicina e atuou como médico em hospital de São Matesu.

Falso médico é condenado a 33 anos de prisão por morte de menina em São Mateus

Apontado pelo Ministério Público (MPES) como “falso médico”, Leonardo Luz Moreira foi condenado a 33 anos e 11 meses de prisão em regime fechado, na noite desta quinta-feira (27). O julgamento ocorreu no fórum da cidade e durou mais de 12 horas. O réu deixou o local algemado.

Leonardo Luz Moreira foi responsabilizado pela morte de Ana Luisa Ferreira Marcelino da Silva, de 10 anos, ocorrida em janeiro de 2021, após atendimento prestado por ele no Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo.

Leonardo também foi condenado ao pagamento de R$ 300 mil em indenização aos pais de Ana Luisa. O réu foi acusado de homicídio qualificado, exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. A defesa sempre negou os crimes.

O julgamento no Tribunal do Júri de São Mateus começou às 8h desta quinta-feira (27), no fórum da cidade, e durou todo o dia, sendo encerrado às 20h07.

DEFESA NÃO CONCORDA COM DECISÃO

Em nota enviada na manhã desta sexta-feira (28), a defesa de Leonardo informou que “não concorda com a decisão proferida e já interpôs recurso visando modificar o julgamento e a pena imposta. E, ainda, há pedidos feitos anteriormente aguardando decisão que poderá mudar o curso do processo”.

A defesa de Leonardo tentou, mas teve negado os pedidos de mudar a cidade do julgamento — alegando entre outros pontos que “São Mateus é pequena” — e de retirar a competência da Justiça Estadual para o caso nega as acusações, alegando que Leonardo ainda é médico por não haver decisão judicial contrária, que não havia nada que desabonasse a conduta dele e que a inocência do cliente seria comprovada.

RÉU JÁ ESTAVA PRESO

Leonardo foi preso em dezembro de 2024, após a Justiça atender a um pedido do Ministério Público pela prisão preventiva.

Segundo o MPES, ele foi detido pela Polícia Militar do Paraná, onde dizia residir, depois que investigações apontaram que cursava Medicina presencialmente em uma universidade no Paraguai. Dessa forma, descumpria a ordem judicial de não deixar o país sem autorização, representando risco à aplicação da lei penal e à ordem pública.

Nesta quinta-feira (27), ele chegou ao fórum de São Mateus por volta de 7h50 escoltado em uma viatura da Polícia Penal.

MORTE DA CRIANÇA

Ana Luisa morreu após ser atendida por Leonardo no Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, em fevereiro de 2021.

Conforme a mãe da menina, a professora Alessandra Marcelino, o suposto médico teria dado um diagnóstico de gastroenterite. Depois, a filha teve um agravamento do quadro de saúde e não resistiu.

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Leonardo, conforme investigações da Polícia Federal – em uma investigação tocada na Bahia – teria adulterado documentos com registros de tempo de estudo.

Na transferência para uma faculdade brasileira foram computados quatro anos de curso, ao invés dos seis meses estudados na Bolívia.O réu também falsificou um prontuário médico enquanto atuava ilegalmente.

ENTENDA O CASO

Alessandra Ferreira Marcelino, mãe da menina que morreu, contou que a filha, Ana Luísa, começou a passar mal na noite do dia 11 de janeiro de 2021 com dores de barriga e vômitos.

Ela levou a menina para o hospital, onde foi atendida pelo falso médico Leonardo Luz Moreira.

Segundo a mãe de Ana Luísa, Leonardo atendeu a criança sem encostar nela e disse que o diagnóstico era gastroenterite. Cerca de 20 minutos depois de dar entrada no hospital, a criança morreu.

Alessandra acreditava em erro até realmente descobrir que o homem trabalhava com diploma falso.

> “É uma revolta muito grande. Como que você confia o seu filho pra um médico e depois você descobre que não é médico? Então, é um sentimento de muita revolta”, disse.

Para deixar a lembrança da menina mais viva, a mãe tatuou no antebraço um desenho feito por Ana Luísa, além de preservar o quarto dela como era.

> “Lutamos por Justiça para que ninguém, nenhuma mãe, passe pelo que eu estou passando. Ninguém tem o direito de fazer isso”, disse a professora.

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