Samba e religião: os termos de matriz africana mais presentes nos enredos das escolas de SP

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Dicionário do samba: saiba quais os termos de matriz africana mais aparecem nos enredos das escolas de SP

O DE levantou as dez expressões que mais se repetiram nos enredos e conversou com o babalorixá Thales Henrique, que é líder religioso de um terreiro de candomblé e explicou os significados de cada uma.

Oito das 14 escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo trouxeram temas ligados a religiões de matriz africana em seus sambas-enredos no carnaval de 2025.

A presença de referências culturais e espirituais afro-brasileiras foi expressiva: Gaviões da Fiel, Acadêmicos do Tucuruvi, Barroca Zona Sul, Mancha Verde, Colorado do Brás, Mocidade Alegre e Acadêmicos da Tatuapé utilizaram 99 termos em suas composições.

O DE levantou as dez expressões que mais se repetiram nos enredos e conversou com o babalorixá Thales Henrique, que é líder religioso de um terreiro de candomblé e explicou os significados de cada uma delas (veja lista abaixo).

Os termos que mais se repetem são Axé (cinco vezes) e Xangô (três vezes). Os outros oito se repetem duas vezes cada um.

O samba que mais trouxe termos de matriz africana foi “Irin Ajó Emi Ojisé”, da Gaviões da Fiel, com 24 diferentes referências. Em Iorubá (grupo étnico-linguístico da África Ocidental), o título da letra significa “A viagem do espírito mensageiro”.

O enredo falou das máscaras africanas e usou o personagem de um espírito para viajar pelo continente africano mostrando os adereços.

“As religiões de matriz africana estão presentes dentro do carnaval — e o carnaval também passou a ser uma data importante para as religiões de matriz africana, porque é o grande momento onde nós cultuamos Exu”, explicou Thales.

“Muito preto morreu para poder manter o candomblé até os dias de hoje. Muito preto foi perseguido, muitas pessoas foram assassinadas e até hoje pessoas são assassinadas, são agredidas por serem de candomblé. A intolerância religiosa existe, mas também nos dá força quando os nossos deuses são vistos e respeitados por aqueles que têm o poder de influenciar”, completou.

OS TERMOS MAIS USADOS NO CARNAVAL DE SP
1) Axé (cinco repetições): a “tradução” ao pé da letra significa “que assim seja”, mas também simboliza a força vital dentro do candomblé.

2) Xangô (três repetições): é o orixá da justiça, o deus a que se recorre quando se sente injustiçado. É o orixá do fogo, que protege todos aqueles que são honestos e injustiçados.

3) Orixá (duas repetições): são as divindades, ou deuses do candomblé.

4) Exu (duas repetições): é a divindade que representa o mensageiro no candomblé. Na religião, acredita-se que Exu seja o conhecedor de todos os caminhos que existem entre o céu e a terra. Ele é quem leva a mensagem, os pedidos, os agradecimentos e as ofertas aos orixás. O grande comunicador. Por isso, é o primeiro orixá que se cultua no candomblé, para que Exu leve a mensagem e permita que aquilo que está sendo feito seja entregue às divindades. “É representado pelas cores preto e vermelho e tem semelhança ao ser humano, por isso as pessoas o associam ao demônio. Ele tem a dualidade do bem e do mal assim como todos nós temos”, explicou o babalorixá.

5) Epahey (duas repetições): é uma saudação no candomblé que se utiliza ao orixá Oya, orixá dos ventos e das tempestades.

6) Ogum (duas repetições): uma divindade, o senhor, o general da guerra. É também o orixá da tecnologia, o grande forjador do metal.

7) Oyá (duas repetições): o orixá dos ventos, das tempestades, a senhora da cidade de Iráz, uma mulher de força e guerreira, que foi casada com Xangô e teve nove filhos.

8) Oyó (duas repetições): é uma cidade na Nigéria onde Xangô foi rei durante o Império de Oyó. A cidade existe até hoje.

9) Patuá (duas repetições): é uma insígnia de proteção, um adereço utilizado no pescoço ou na bolsa, feito com alguns elementos sacros, como ervas.

10) Orun: quer dizer “céus”. É o céu, o lugar onde estão os deuses do candomblé.

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