Investimento suspeito em Ribeirão Preto: lavagem de R$ 47 bi pelo PCC

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Esquema bilionário do PCC: escritório de investimento de Ribeirão Preto, SP, é suspeito de lavar R$ 47 bilhões

Endereço no Jardim Paulista, zona Leste da cidade, foi alvo de busca e apreensão na quinta-feira (28). Operação Carbono investiga fraude e lavagem de dinheiro em vários setores de combustível.

Escritório de investimento em Ribeirão Preto, SP, é suspeito de lavar R$ 47 bilhões

Escritório de investimento em Ribeirão Preto, SP, é suspeito de lavar R$ 47 bilhões

Um escritório no Jardim Paulista, bairro da zona Leste de Ribeirão Preto (SP) é investigado por suspeita de lavar R$ 47 bilhões no esquema bilionário que investiga fraude e lavagem de dinheiro em vários setores de combustível, comandado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), alvo de uma megaoperação da Receita e da Polícia Federal na quinta-feira (28).

As investigações apontam que o grupo usava fintechs para ‘blindar’ e lavar dinheiro ilegal. No início da manhã de quinta-feira, quando a Operação Carbono foi deflagrada, agentes da Receita Federal e policiais militares e federais estiveram em vários endereços da região para cumprir mandados de busca e apreensão.

Em Ribeirão Preto, as equipes estiveram em prédios comerciais onde funcionavam os escritórios financeiros do grupo.

Escritório em Ribeirão Preto (SP) movimentou R$ 47 bilhões em esquema criminoso do PCC — Foto: Reprodução/EPTV

Em Jardinópolis (SP), a fiscalização foi feita em uma distribuidora de combustíveis na área industrial. Fiscais da Secretaria Estadual da Fazenda entraram no escritório e todo o trabalho operacional foi suspenso na manhã da quinta-feira.

Secretário da Receita Federal, Robson Barreirinhas disse que todo o material apreendido durante o cumprimento dos mandados de prisão.

“Essas investigações ainda estão sob sigilo, a gente não vai comentar a respeito de pessoas, seja empresas ou pessoas físicas. Como de praxe nas operações, há análise de materiais apreendidos, de mídia, de depoimentos, e aí os desdobramentos que, eventualmente, haverá”.

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Segundo as investigações feitas entre 2020 e 2024 em parceria com o Ministério Público, a organização criminosa importou 10 bilhões de metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. O produto, depois, seguia para distribuidoras e postos de combustíveis até chegar em carros e motos.

A operação de quinta-feira revelou que os combustíveis vendidos por alguns dos 1.200 postos do país tinham até 90% de metanol. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite apenas 0,5% desta substância química no etanol ou na gasolina.

Ao todo, foram cumpridos 350 mandados judiciais em oito estados brasileiros. Além de Ribeirão Preto e Jardinópolis, a operação também esteve em Barretos (SP) e em uma usina em Pontal (SP).

Também teve o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em imóveis e carros das pessoas envolvidas. Segundo o delegado Glauco Guimarães, da Receita Federal, a organização criminosa usava bancos paralelos e fundos de investimentos que facilitavam a ocultação do dinheiro.

“Qualquer um de nós aqui está sujeito às regras do mercado financeiro quando a gente transaciona em bancos comerciais. É rastreável, a receita consegue rastrear. Não é claro, pra nós, onde este dinheiro foi empregado”.

Fintech em Ribeirão Preto (SP) alvo da megaoperação contra esquema bilionário de combustíveis — Foto: Divulgação

O esquema utilizava ao menos 40 fundos de investimento e diversas fintechs para lavar dinheiro, mascarar transações e ocultar patrimônio avaliado em R$ 30 bilhões.

Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, a rede de combustíveis em Jardinópolis disse que mantém uma base logística na área industrial na cidade, que é compartilhada com outras empresas onde teve a operação de hoje e que cumpre rigorosamente com as obrigações fiscais e tributárias.

A usina de Pontal informou que a empresa não é alvo de investigação, que tem colaborado com as autoridades e que as operações financeiras são informadas e aprovadas pelo Poder Judiciário e todos os valores de recebimento são declarados às autoridades competentes.

Os dois escritórios de investimento alvos da operação, em Ribeirão Preto e Barretos, também foram procurados, mas não deram retorno até a publicação desta reportagem.

COMO ERA O ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO COM FINTECHS

As investigações apontam que, além da lavagem de dinheiro do crime organizado, o esquema também gerava grandes lucros na cadeia de combustíveis. Para viabilizar isso, centenas de empresas eram abertas para ocultar a origem e o destino dos recursos.

A Polícia Federal identificou que as transações eram realizadas por fintechs, em vez de bancos tradicionais, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores ligados ao PCC.

As fintechs exploravam brechas na regulamentação, o que permitia que o dinheiro ilícito do esquema nos postos de combustíveis fosse integrado ao sistema financeiro.

A Receita Federal constatou que uma dessas fintechs atuava como um “banco paralelo” da facção, movimentando mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. Os mesmos operadores também controlavam fintechs menores, formando uma segunda camada de ocultação.

Outra brecha na regulação das fintechs é a chamada “conta-bolsão”, uma conta aberta pela própria empresa em um banco comercial, em que os recursos de todos os clientes ficam misturados, sem separação individual.

Por essa conta transitavam pagamentos entre distribuidoras, postos de combustíveis, fundos de investimento do grupo e até despesas pessoais dos operadores do esquema.

“Esse dinheiro foi para essa conta, chamada ‘conta-bolsão’, que a gente não sabe a origem, não sabe quem fez o depósito, exceto a fintech sabe. Daí a gente está apurando quem é o real detentor desse dinheiro”, completou Guimarães.

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