Carretas carregadas de combustível de empresas alvo da megaoperação contra o PCC foram abandonadas na Bahia
A DELOG Agro Ltda e a Moska Log foram identificadas como empresas de fachada ligadas ao esquema criminoso de Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, considerados chefes do esquema.
Carretas carregadas de combustível da empresa DELOG e MOSKALOG
Carretas carregadas de combustível das empresas DELOG e Moskal pertencentes aos principais alvos da megaoperação desta quinta-feira (28) contra o crime organizado foram abandonadas nesta sexta-feira (29) em um posto em Camaçari, na Bahia.
A Polícia Militar foi acionada para remover os veículos.
A DELOG Agro Ltda e a Moska Log foram identificadas como empresas de fachada ligadas ao esquema criminoso de Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Eles estão foragidos.
Criada em fevereiro de 2024, a DELOG Agro atua no transporte de cana-de-açúcar e etanol para usinas do Grupo Itajobi, mas funciona como parte de uma rede usada para ocultar patrimônio e mascarar a real propriedade dos ativos. Seus veículos estão registrados em nome da Blue Star Locação de Equipamentos, também considerada empresa de fachada.
A Moska Log opera de forma integrada à DELOG, usando a mesma logomarca e número de telefone, além de compartilhar frota registrada na Blue Star. Ambas transportam etanol e cana para as usinas ligadas ao grupo, reforçando a estratégia de criar múltiplas camadas societárias para lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial.
Imóveis e veículos da DELOG Agro são alvo de buscas e apreensões, e a Moska Log é apontada como uma frente societária de expansão das atividades criminosas de Mohamad no setor de combustíveis.
Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, eram responsáveis por comandar o esquema do DE no setor de combustíveis.
Segundo a investigação, o esquema bilionário de integrantes do Primeiro Comando da Capital (DE) no setor de combustíveis, era comandado por Mourad e Beto Louco.
A organização criminosa atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis e de açúcar e álcool, incluindo usinas, distribuidoras, transportadoras, fabricação e refino, armazenagem, redes de postos de combustíveis e conveniências.
Mohamad é apontado como o “epicentro das operações” e chefe da organização que utilizava empresas em todo o setor de combustíveis — desde usinas até postos — para realizar fraudes fiscais massivas, ocultar patrimônio e lavar bilhões de reais. A extensa rede criminosa era formada por familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados por ele.