Feira do Agricultor Urbano em Cascavel: sustentabilidade e conexão entre produtores e consumidores

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Feira do Agricultor Urbano conecta produtores e consumidores em Cascavel

Entre prédios e hortas, município descobre que crescimento e sustentabilidade
podem florescer juntos.

A lua ainda nem chegou ao Japão e seu Gilberto já está de pé, pronto para
encarar mais um longo dia em uma cidade que, a cada dia que passa, se torna mais
vertical do que horizontal. São prédios e mais prédios que, junto com o
desenvolvimento urbano, redesenham o horizonte de Cascavel e que também fazem
com que o sol só venha depois. O concreto cinza tem ocupado o espaço verde, ou
marrom, em Cascavel, e, assim, não nos damos conta de que, debaixo daquela rua,
tem terra, que já teve plantas e que agora estão cobertas por pedra. É pau, é
pedra, mas será que é o fim do caminho?

Para Gilberto e seus parceiros da Feira da Agricultura Urbana, o caminho ainda
tem muitos hectares pela frente. Já mencionado duas vezes, mas ainda sem a
devida apresentação, aqui está Gilberto Pacheco, agricultor urbano de Cascavel,
Paraná, a mente por trás da Feira da Agricultura Urbana, que é realizada todos
os sábados de manhã e quartas à tarde no Ginásio da Neva. O nome do evento já
diz tudo, mas vale destacar: além de ser uma produção feita dentro da cidade,
todos os produtos são orgânicos, ou seja, livres de fertilizantes e defensivos
químicos. A feira é uma das iniciativas para revitalizar os espaços verdes da
cidade e fortalecer a agricultura urbana.

Outro pilar essencial nesse respiro verde de Cascavel é o Território Cidadão,
responsável pelo projeto Agricultura Urbana, ligado à feira. Terrenos baldios,
sejam públicos ou privados, são transformados em hortas comunitárias. De acordo
com Milton Ferreira, membro assíduo do projeto, o objetivo é claro: “Produzir
alimentos orgânicos, ocupar aqueles espaços vazios que ninguém usa e, com isso,
gerar emprego e renda. Através de associações que cuidam tanto da produção
quanto da venda, conseguimos um impacto enorme. Não só para quem participa
diretamente, mas para toda a comunidade”.

O projeto, que já existe há sete anos, tem mostrado resultados concretos.
Gilberto conta com orgulho que a demanda pelos produtos orgânicos tem crescido
substancialmente, não só pela qualidade dos alimentos, mas também pelo crescente
interesse da população em consumir de forma mais consciente. “É um ciclo: a
gente planta, colhe, vende na feira, e as pessoas veem o valor do que estamos
fazendo. Muitas vezes, quem compra na feira acaba levando a ideia para casa e
começa a plantar em pequenos espaços”. Assim, a cidade alia o seu
desenvolvimento sem comprometer a vivacidade de suas cores.

Ana Paula Rodrigues, frequentadora assídua, destaca que a feira não é só um
local para comprar alimentos, mas uma forma de apoiar um estilo de vida mais
sustentável. “Eu venho aqui toda semana porque sei que os produtos são frescos e
saudáveis. Mas o que mais me atrai é saber que estou contribuindo para os
pequenos produtores e para a cidade”, diz ela, enquanto escolhe tomates
orgânicos. Outros consumidores compartilham dessa visão, ressaltando que a feira
representa uma conexão com o lado rural da cidade.

Novos horizontes

Apesar das conquistas, Gilberto, Milton e os outros agricultores urbanos sabem
que ainda há muito trabalho pela frente. A expansão da agricultura urbana em
Cascavel enfrenta desafios, como a resistência de alguns proprietários de
terrenos que preferem deixar as áreas baldias sem uso. No entanto, os envolvidos
no projeto acreditam que a cultura da agricultura urbana está crescendo e tem
potencial para transformar não só o visual da cidade, mas também o modo como as
pessoas interagem com o espaço urbano.

A perspectiva para o futuro é promissora. Milton Ferreira comenta sobre planos
de ampliar o projeto, com novas parcerias e a criação de mais hortas em
diferentes bairros da cidade. “Queremos que a agricultura urbana seja algo comum
em Cascavel, que não só as pessoas conheçam, mas que façam parte disso”, explica
Ferreira. Ele também aponta para o potencial educacional do projeto, já que
muitas escolas da cidade estão se envolvendo com hortas pedagógicas, ensinando
às crianças desde cedo sobre o valor da agricultura e da alimentação saudável.

Gilberto vê tudo isso com um misto de otimismo e realismo: “A espera pelo
crescimento das plantas é como a espera pela mudança na cidade: ela pode ser
lenta, mas é constante e acontece. A cada nova horta, a cada novo consumidor que
descobre a feira, Cascavel fica um pouco mais verde”, afirma o produtor.

Toda mudança demanda tempo e a agricultura urbana em Cascavel segue esse ritmo
natural, e bem como o sol, surge entre os espaços que o crescimento urbano lhe
dá. À medida que os prédios se elevam e projetam suas sombras, as hortas
comunitárias e as feiras de alimentos orgânicos ganham força, provando que o
desenvolvimento urbano pode andar de mãos dadas com a natureza.

Ainda que a noite seja longa e o céu amanheça cinzento, em algum momento, o sol
há de brilhar mais uma vez.

Texto produzido por Krisagon Silva, acadêmico do curso de Jornalismo do Centro
Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 23ª
edição da Revista Verbo, veiculada na 4ª edição do City Farm FAG, em 2024.

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