Empresário injustamente preso após ser baleado em Fortaleza: Justiça absolve sem provas

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Empresário baleado e confundido com assaltante em Fortaleza é absolvido após ser preso sem provas

Francisco Henrique foi absolvido sumariamente após comprovação de que não participou do crime. Ele ficou preso por duas semanas até a Justiça reconhecer o erro.

Imagens mostram empresário sem ferimentos após horário de confronto policial

O empresário Francisco Henrique Santos de Almeida, de 27 anos, foi absolvido sumariamente do processo em que era acusado de tentativa de latrocínio, em Fortaleza. A decisão judicial, proferida nesta segunda-feira (17), encerrou o processo criminal sem necessidade de julgamento.

O caso ocorreu em 9 de setembro. Henrique foi baleado na mão enquanto estava na rua e, durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), foi preso. Ele foi solto após duas semanas, quando a defesa apresentou provas de que o ele foi atingido em outra situação.

Em nota, os advogados Rayssa Mesquita e Teodorico Menezes destacaram que a decisão reconheceu a prisão injusta de Henrique, confundido com os verdadeiros autores dos crimes ocorridos em setembro de 2025. Segundo a defesa, a investigação comprovou que o empresário estava em outro local no momento dos fatos.

A defesa também ressaltou a importância do respeito ao devido processo legal em todas as etapas da persecução penal.

O Tribunal de Justiça do Ceará informou que a 3ª Vara Criminal de Caucaia absolveu Henrique por falta de indícios mínimos de autoria e participação no crime.

ENTENDA O CASO

Segundo a defesa, Henrique Santos foi vítima de uma bala perdida no bairro Vila Velha. Depois, ele foi confundido com um dos assaltantes que haviam trocado tiros com a polícia no mesmo dia, após praticarem uma série de assaltos e uma tentativa de latrocínio.

Os dois eventos aconteceram em horários diferentes. Por volta das 16h, assaltantes e policiais entraram em confronto e trocaram tiros na avenida Leste-Oeste. Henrique foi atingido na mão nas proximidades da rua Beta, no bairro Vila Velha, por volta das 19h.

Imagens de câmeras de segurança mostraram Henrique em diferentes estabelecimentos entre 16h e 19h12, sem ferimentos. Ele, dono de três galeterias, se deslocou entre as unidades durante a tarde e início da noite.

Henrique foi preso no dia 9 de setembro. No dia 23 de setembro, a Justiça aceitou o pedido de relaxamento da prisão de Henrique, considerando que a prisão dele foi ilegal. Durante as duas semanas detido, ele dividiu cela com cerca de 45 pessoas no Complexo Penitenciário de Aquiraz e relatou dificuldades para atendimento médico.

CRONOLOGIA

As evidências apresentadas pela defesa de Henrique mostram uma linha do tempo em que o empresário é filmado sem ferimentos em horários posteriores ao confronto entre policiais e assaltantes na avenida Leste-Oeste, no dia 9 de setembro.

Conforme a cronologia dos eventos apresentada pela defesa do empresário:

– 16h: Suspeitos de assaltos e tentativa de latrocínio na avenida Leste-Oeste são perseguidos e trocam tiros com policiais. Segundo a defesa, o empresário encerrava, neste horário, as atividades em uma de suas galeterias, no bairro Jardim das Oliveiras.
– 17h53: Henrique é filmado em um estacionamento na avenida Tristão Gonçalves, no Centro. Nas imagens, ele aparece sem ferimentos.
– 18h11: O empresário é filmado no mesmo estacionamento, ainda sem ferimentos.
– 18h50: Henrique vai até a galeteria no bairro Vila Velha, acompanhado do sócio Carlos Dyego Almeida. Na calçada da rua Beta, ele é atingido na mão por uma bala perdida.
– 19h12: O empresário e o sócio são filmados dentro de uma farmácia na avenida Mozart Pinheiro de Lucena, no bairro Vila Velha. Nas imagens, ele aparece com um curativo na mão esquerda.
– 20h: O sócio leva Henrique para atendimento para a UPA do Cristo Redentor.
– 21h48: Henrique recebe voz de prisão dentro da UPA do Cristo Redentor.

Henrique foi baleado quando estava no bairro Vila Velha ajudando a encerrar o expediente de uma das suas galeterias. As câmeras de segurança de uma farmácia nas proximidades foram apresentadas à Justiça no pedido de relaxamento de prisão.

Nelas, Henrique aparece com a mão ferida. Conforme a defesa, ele foi até o local para fazer um curativo e recebeu orientação para procurar a UPA.

O empresário e o sócio Carlos Dyego teriam tentado evitar a UPA do Vila Velha por considerarem que a unidade é mais lotada. Em vez disso, foram até a UPA do Cristo Redentor, que fica na mesma avenida em que assaltantes e policiais haviam trocado tiros durante a tarde.

O maior sofrimento que tive em 27 anos de vida. Passei por algo bem desumano, coisa que eu só via em filme e que, do nada, aconteceu comigo, relatou Henrique.

Henrique ficou detido na Delegacia de Capturas, em Fortaleza, até passar pela audiência de custódia, no dia 11 de setembro. Ele foi ouvido por um juiz juntamente com outras duas pessoas que haviam sido presas pela participação na tentativa de latrocínio.

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