O Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca foi palco de um trágico acontecimento que chocou a comunidade escolar. No dia 28 de novembro, duas mulheres foram vítimas de um atentado dentro da instituição, onde um colega de trabalho, identificado como João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, realizou disparos que resultaram em suas mortes, antes de tirar a própria vida. Uma funcionária, que preferiu não se identificar, revelou que se sentia perseguida pelo suspeito e que poderia ter sido mais uma vítima se estivesse presente no local naquele momento.
As atitudes do acusado, que já demonstrava sinais de deterioração emocional, isolamento e rigidez de comportamento há anos, eram motivo de preocupação para diversos colegas. Segundo relatos, João Antônio mostrava comportamentos obsessivos, perseguindo colegas e superiores, além de discordar de decisões pedagógicas e demonstrar insatisfação com questões cotidianas no ambiente de trabalho. A sensação de medo e insegurança se espalhou entre os funcionários da unidade Maracanã do Cefet, na Zona Norte do Rio.
O acusado, que havia entrado com uma ação judicial contra a União quatro meses antes do ocorrido, alegava sofrer assédio moral no ambiente de trabalho. O processo, arquivado pela Justiça Federal, revela que João Antônio se sentia vítima de retaliação administrativa e isolamento progressivo, o que teria contribuído para o comprometimento de sua saúde mental. Suspensão cautelar e mudanças de setor foram algumas das medidas adotadas, mas não foram suficientes para evitar a tragédia que se desenrolou na instituição.
Allane de Souza Pedrotti Matos, uma das vítimas fatais do atentado, era uma profissional renomada no meio acadêmico, doutora em Letras e atuante como coordenadora pedagógica no CEFET/RJ. Com uma vasta experiência em educação, pesquisa e gestão, ela também se destacava no cenário musical como cantora e compositora. Layse Costa Pinheiro, a outra vítima, foi a primeira colocada em um concurso para psicólogos no Cefet-RJ, com atuação na área de Gestão de Pessoas e Psicologia Escolar. Apaixonada por música e dança, Layse deixou um legado de competência e talento.
A tragédia no Cefet levanta diversas questões sobre a segurança e saúde mental no ambiente de trabalho, assim como a importância de identificar e buscar ajuda para problemas emocionais. O luto oficial de cinco dias decretado pela Direção-Geral da escola reflete o impacto profundo da perda dessas duas profissionais exemplares. A comunidade escolar se une em solidariedade e busca por respostas, esperando que medidas efetivas sejam tomadas para evitar que tragédias como essa se repitam. O legado de Allane e Layse permanece vivo como um exemplo de dedicação e paixão pelo que faziam.




