Lagoinha do Belmonte, na Chapada do Araripe, seca e preocupa visitantes no Crato, Ceará: Entenda o impacto ambiental

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Lagoinha do Belmonte perde volume de água e preocupa visitantes no Crato, no Ceará

A área de proteção ambiental, na Chapada do Araripe, sofre com queda no nível da água e desmatamento, segundo frequentadores do local.

Lagoinha do Belmonte, localizada na encosta da Chapada do Araripe, no Crato, está secando, segundo frequentadores. Eles afirmam que a represa perdeu, pelo menos, metade do volume de água, o que já inviabiliza uma das trilhas mais visitadas desse município do sul do Ceará.

Também conhecida como Açudinho ou Lago Gelado, a Lagoinha sempre atraiu visitantes, principalmente aos fins de semana. Para chegar ao ponto principal, trilheiros percorrem cerca de 3 km de caminhada, quase todo o trajeto à sombra, em meio a uma mata nativa cortada por córregos.

Mas o cenário que sempre chamou atenção pela conservação ambiental passou a provocar revolta. No dia de Natal, a reportagem do DE acompanhou um grupo de jovens que já conhecia a trilha e decidiu retornar ao local. Logo nos primeiros metros do percurso, eles perceberam mudanças.

Os visitantes afirmam que o diferencial da Lagoinha do Belmonte sempre foi a preservação ambiental, que permite conhecer de perto a mata úmida, característica da Chapada do Araripe. Esse tipo de vegetação faz da região do Cariri um destaque nacional, uma espécie de oásis em pleno sertão nordestino.

Além do contato com a natureza, a trilha costumava terminar com um atrativo aguardado: o mergulho na água limpa e gelada da Lagoinha. Por estar localizada a mais de 600 metros de altitude, a qualidade da água era considerada melhor do que a de balneários situados a jusante, como a Cascata do Crato e o Parque Estadual do Sítio Fundão.

Dessa vez, isso não foi possível. O nível da água caiu tanto que não ultrapassa a cintura de um adulto de 1,80m. A Lagoinha ganhou aspecto de barreiro, represamentos de beira de estrada, e um peixe morto boiando indicava desequilíbrio ambiental.

Ao longo do caminho, é possível observar diversos canos instalados para captação. O de maior diâmetro pertence à SAAEC (Sociedade Anônima de Água e Esgoto do Crato), empresa pública responsável pelo abastecimento, tratamento e distribuição no município.

Procurada pela reportagem, a SAAEC informou que “a captação de água realizada no manancial conhecido como Lagoinha do Belmonte ocorre em total conformidade com os parâmetros estabelecidos na autorização legal, não ocasionando prejuízos à recarga natural do reservatório”.

Sobre a redução do nível da água, a empresa afirmou que o problema “não está relacionado à operação de captação da SAAEC” e que o ocorrido teria sido provocado por “um ato de vandalismo, que resultou na quebra da barragem, comprometendo a retenção do volume de água”. A SAAEC não informou quando o vandalismo teria ocorrido, nem se houve registro policial ou ações de reparo na barragem até a última atualização desta reportagem.

A reportagem do DE conversou com mais de um guia turístico do Cariri, que há anos trabalham na Chapada do Araripe, levando pessoas que buscam conhecer áreas preservadas. Um desses profissionais, que preferiu não ser identificado, afirma que a Lagoinha do Belmonte faz parte de uma unidade de conservação federal: o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Soldadinho-do-Araripe.

Criada em decreto em 5 de junho de 2025, o Revis tem como principal objetivo proteger o habitat exclusivo do soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), ave que só existe no Cariri cearense e que é considerada uma espécie criticamente ameaçada de extinção.

Outro guia, que é educador ambiental e também pediu para não ser identificado, acredita que a deterioração da Lagoinha é um sintoma da degradação que estaria acontecendo em outros pontos do território.

No caso do Cariri cearense, a disponibilidade de água estaria caindo em comparação às outras Chapadas brasileiras. Apenas com ações efetivas será possível garantir a preservação dessas áreas naturais únicas e proteger as espécies que nelas habitam. A conscientização e ações de conservação são fundamentais para reverter o quadro de degradação e garantir a sustentabilidade desses ecossistemas.

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