Ataques nos EUA à Venezuela aumentam migração para o Paraná: Pesquisador. Configuração política e militar afeta fluxo migratório.

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Paraná tende a receber ainda mais venezuelanos’, diz pesquisador após ataques
dos EUA na Venezuela

Estado é um dos principais destinos da migração venezuelana no Brasil e pode
registrar aumento do fluxo diante da instabilidade política e militar no país
vizinho.

Venezuelanos que vivem no Paraná falam da situação no país
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Venezuelanos que vivem no Paraná falam da situação no país

Os ataques dos Estados Unidos à Venezuela
[https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/03/trump-fala-sobre-operacao-de-captura-de-nicolas-maduro.ghtml]
podem provocar um novo aumento da migração venezuelana para o Paraná, segundo o
sociólogo Márcio de Oliveira, coordenador do Projeto Atlas da Migração
Internacional da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo o sociólogo, a
instabilidade no país vizinho tende a intensificar a chegada de venezuelanos ao
estado, onde a comunidade migrante é expressiva.

O pesquisador aponta que o Paraná ocupa atualmente a segunda posição entre os
estados que mais recebem migração venezuelana, especialmente pelas baixas taxas
de desemprego e demanda por mão de obra.

> “O Paraná é o segundo – por vezes o primeiro, dependendo do mês – estado mais
> atrativo para a migração venezuelana. Então, a presença venezuelana no Paraná
> é muito forte, e há muita preocupação da comunidade com o que está acontecendo
> na Venezuela”, afirma.

Os ataques ocorreram na madrugada deste sábado (3)
[https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/03/trump-fala-sobre-operacao-de-captura-de-nicolas-maduro.ghtml]
e foram confirmados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio
de uma rede social. Segundo a agência Associated Press, ao menos sete explosões
foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos. O presidente
venezuelano, Nicolás Maduro, foi capturado e levado para Nova York
[https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/03/aviao-com-maduro-chega-aos-eua-apos-captura-na-venezuela-diz-site.ghtml].

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Para Oliveira, o cenário de incerteza política e tensão militar deve contribuir
para novos deslocamentos. “O estado do Paraná tende a continuar, com essa
situação de instabilidade, a receber ainda mais venezuelanos, nesse momento de
transição política para o qual ainda não há nenhuma certeza”, diz.

Segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais, mais de 87 mil
venezuelanos residem no Paraná. Em todo o Brasil, esse número ultrapassa 575
mil.

Curitiba se destaca como principal destino no estado. A capital paranaense é a
cidade brasileira que mais recebeu venezuelanos pelo Programa Acolhida, do
Governo Federal. Entre abril de 2018 e novembro de 2025, 8.930 migrantes
passaram a morar em Curitiba por meio da operação.

Segundo o pesquisador, esse protagonismo também está ligado à estrutura
construída ao longo das últimas duas décadas.

“A cidade de Curitiba, de 20 anos pra cá, se especializou no acolhimento. Há uma
rede de proteção e acolhimento muito importante, que envolve organizações da
sociedade civil, organizações religiosas, organizações institucionais da
Prefeitura, do Estado e as universidades também”, explica.

Esse ambiente, segundo ele, torna a presença venezuelana cada vez mais visível
no cotidiano da cidade. “Qualquer cidadão de Curitiba ou da Região
Metropolitana, que vai ao supermercado, à padaria ou a um posto de gasolina,
pode reconhecer que a língua espanhola é bastante falada”, afirma.

1 de 2 Imagem do incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da
Venezuela, após uma série de explosões em Caracas em 3 de janeiro de 2026 —
Foto: Luis Jaimes/AFP

Imagem do incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após
uma série de explosões em Caracas em 3 de janeiro de 2026 — Foto: Luis
Jaimes/AFP

* Leia mais:

‘Infâncias em Travessia’: série do de discute chegada, desafios e sonhos de
crianças migrantes e refugiadas no Paraná
[https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2025/10/25/infancias-em-travessia-serie-do-discute-chegada-desafios-e-sonhos-de-criancas-migrantes-e-refugiadas-no-parana.ghtml]

ATAQUES PODEM TER IMPACTO SOBRE FLUXO MIGRATÓRIO

Márcio de Oliveira aponta que os desdobramentos após a ofensiva estadunidense
podem provocar movimentos migratórios em ambos os sentidos: tanto de novas
famílias venezuelanas chegando, quanto de retorno de migrantes que já estejam
morando no Brasil.

“Pode ter uma parcela de venezuelanos que estejam no Paraná que deseje retornar,
mas uma parcela seguramente não vai retornar, porque já fez sua história na
cidade de Curitiba, Região Metropolitana e interior. […] Pode haver um
retorno, mas esse retorno vai esperar, primeiro, uma definição política maior, e
isso leva um pouco de tempo, não é do dia pra noite.”

O pesquisador, no entanto, acredita que nos próximos meses, caso a indefinição
política no país vizinho se mantenha, o Paraná pode ser o destino de boa parte
dos venezuelanos que pretendem deixar o país de origem. “Devido às redes que já
são organizadas no Brasil todo – e no Paraná, em especial – pode ser que, sem
saber exatamente pra onde vai o país, algumas pessoas pensem em sair”, afirma
Oliveira.

2 de 2 Venezuelanos fizeram manifestação em Curitiba neste sábado (03). — Foto:
Fábio Gomes/RPC TV

Venezuelanos fizeram manifestação em Curitiba neste sábado (03). — Foto: Fábio
Gomes/RPC TV

VENEZUELANOS ORGANIZARAM MANIFESTAÇÃO EM CURITIBA

Na tarde deste sábado (3), dezenas de venezuelanos se reuniram em frente ao
prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, para uma
manifestação. Utilizando bandeiras e camisetas nas cores do país, eles cantaram
o hino da Venezuela.

Apesar da apreensão com a situação política, os manifestantes comemoraram a
captura de Nicolás Maduro. “Gostaria de retornar, mas temos que esperar que tudo
se acalme, que tudo volte à normalidade”, disse a engenheira civil venezuelana
Fabíola Ricardo, que trabalha em um frigorífico no Paraná e fez parte da
manifestação. “Mas o mais importante é que Maduro caiu”, conclui.

* Leia mais: Morador de Curitiba que está na Venezuela visitando família relata
corrida por comida e medo após ataques dos EUA
[https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/03/morador-de-curitiba-venezuela-familia-ataques-dos-eua.ghtml]

MIGRANTES RELATAM PREOCUPAÇÃO

Venezuelanos que vivem no Brasil acompanham os desdobramentos com apreensão
[https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/03-migrante-venezuela-curitiba-preocupacao-ataque.ghtml].
Muitos relatam angústia ao seguir as notícias por redes sociais, transmissões ao
vivo de jornalistas venezuelanos e contatos diretos com familiares que
permanecem no país.

Caroline A., que vive no Brasil há cerca de dois anos, acompanha as informações
por meio das redes sociais, com transmissões ao vivo de jornalistas
venezuelanos, e pela família.

“A família da minha mãe está em Caracas, bem perto de onde Maduro foi deposto.
No momento, as garantias constitucionais estão suspensas, mas as pessoas estão
tentando manter a calma. Há medo, sim, mas também depositamos nossas esperanças
em Deus”, detalha Caroline.

A professora Lívia Vargas González, de 48 anos, imigrante venezuelana que vive
em Foz do Iguaçu [https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/cidade/foz-do-iguacu/],
acompanha com apreensão os desdobramentos do ataque. Mesmo morando no Brasil há
quase uma década, ela mantém contato diário com a família que vive em Caracas.

Lívia relata que soube do ataque ainda de madrugada, por mensagens enviadas em
grupos de família.

“Eu acordei hoje muito cedo e assim que eu acordei vi um monte de mensagens dos
grupos da família, do meu pai. No começo eu não entendido o que estava rolando,
eu pensei que era brincadeira”, diz.

Ela conseguiu falar com o pai por telefone por volta das seis da manhã. Ele mora
perto do centro de Caracas e acordou com o impacto das explosões.

“Meu pai conta que ele sentiu um impacto assim como se fossem foguetes, mas
muito forte. Ele fala que ele nunca tinha escutado assim e que ele sentiu a
vibração, mesmo estando no centro”, detalha

Leia também:

* Crime ambiental: Após voluntários replantarem árvores arrancadas por mulher,
ela volta ao local e vandaliza as plantas novamente
[https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/03/apos-voluntarios-replantarem-arvores-arrancadas-por-mulher-ela-volta-ao-local-e-vandaliza-as-plantas-novamente.ghtml]
* Buscas continuam: Polícia investiga desaparecimento de jovem de 19 anos que
subiu montanha no Paraná na noite de Ano Novo
[https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/03/policia-investiga-desaparecimento-de-jovem-pico-parana.ghtml]
* Entenda: Caso de violência doméstica faz polícia descobrir armas e R$ 1,2
milhão em bolsas de viagem e iniciar nova investigação
[https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2026/01/02/homem-bate-a-cabeca-durante-mergulho-em-piscina-se-afoga-e-e-salvo-por-esposa-no-parana-video.ghtml]

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[https://g1.globo.com/pr/parana/playlist/videos-mais-assistidos-do- nos-ultimos-7-dias.ghtml]

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[https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/].

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