Acordo Mercosul e UE: Aceleração impulsionada por Trump e instabilidade na Venezuela

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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi acelerado pela conjuntura internacional que envolveu o protecionismo de Donald Trump e a instabilidade na Venezuela. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado recebeu sinal verde dos embaixadores dos 27 países da UE, indicando consenso suficiente para sua aprovação. Este avanço foi impulsionado pelas medidas protecionistas adotadas por Trump, que levaram a União Europeia a buscar novos parceiros estratégicos e diversificar seus mercados.

O “tarifaço” promovido por Trump gerou tensões comerciais com diversos parceiros históricos dos EUA, incluindo países europeus, o que motivou o bloco europeu a intensificar as negociações com o Mercosul. A recente invasão da Venezuela e o isolamento político dos EUA também contribuíram para a urgência de fortalecer laços com outros blocos regionais e potências mundiais. Nesse sentido, o acordo com o Mercosul foi percebido como um gesto político em defesa do multilateralismo e em oposição às ações unilaterais dos Estados Unidos.

O processo de negociação entre Mercosul e União Europeia teve início em 1999 e passou por diferentes fases, com avanços e retrocessos ao longo dos anos. O acordo parcial de 2019 foi afetado pela pandemia de Covid-19, mas ganhou novo fôlego a partir de 2023, sob o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A eleição de Trump em 2024 foi decisiva para acelerar as negociações e resultar na conclusão do tratado durante a cúpula do Mercosul em dezembro daquele ano.

Além de fomentar o comércio entre os blocos, o acordo simboliza um alinhamento político em torno de questões globais como mudanças climáticas e fortalecimento de instituições multilaterais, em contraposição à visão nacionalista defendida por Trump. Fontes governamentais destacaram que o tratado representa um movimento pró-multilateralismo e está alinhando com iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza lançada por Lula em 2024, durante a presidência do Brasil no G20.

A eleição de Trump foi determinante para desbloquear o processo de negociação, assim como aconteceu anteriormente em 2019 com a guerra comercial com a China. A repercussão negativa da política ambiental do governo Bolsonaro na Europa e a eleição de Alberto Fernández na Argentina foram entraves que foram superados entre 2023 e 2024. O acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia representa não apenas uma integração econômica, mas também um posicionamento conjunto em favor do multilateralismo e da cooperação global em temas relevantes para o futuro do planeta.

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