Especialista explica por que seguir o rio não é opção segura: dicas de sobrevivência no Pico Paraná

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Por que seguir rio, como fez jovem que se perdeu no Pico Paraná, não é opção
mais segura? Especialista explica que ficar parado é melhor estratégia

Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, passou cinco dias perdido no meio da mata e
andou cerca de 20 quilômetros até encontrar ajuda. Ele havia sido deixado para
trás na trilha por uma amiga.

Mapa mostra trecho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná
[https://s04.video.glbimg.com/x240/14233623.jpg]

Mapa mostra trecho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná

Seguir o curso de rios, como fez o jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que
ficou cinco dias perdido
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/05/jovem-encontrado-parana.ghtml]
no Pico Paraná, não é a estratégia mais segura, segundo o Corpo de Socorro em
Montanha (COSMO). Veja dicas abaixo.

De acordo com Caius Marcellus, coordenador de Comunicação do COSMO, seguir o rio
apresenta riscos elevados, principalmente por causa da dinâmica das chuvas. A
orientação, segundo ele, é parar de se locomover quando perceber que saiu da
trilha e está perdido. Isso facilita o trabalho das equipes de resgate.

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> “O vale do Rio Cacatu recebe água de vários afluentes que descem dos vales
> adjacentes, e o volume d’água pode subir repentinamente, em instantes. Além
> disso, é uma área remota, sem sinal de telefone para um chamado de socorro.
> Existe a possibilidade de quedas grandes, da presença de animais peçonhentos.
> Enfim, existem inúmeros elementos que fazem essa descida insegura”, afirmou.

Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro. Perdido por cinco dias, ele andou
cerca de 20 quilômetros
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/05/jovem-desaparecido-pico-parana-andou-km.ghtml]
seguindo o rio Cacatu até chegar a uma fazenda, em Antonina
[https://dE.globo.com/pr/parana/cidade/antonina/], na segunda-feira (5), onde
pediu um celular emprestado, ligou para a irmã
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/05/video-mostra-primeira-conversa-de-jovem-desaparecido.ghtml]
e comunicou que estava vivo. Veja trajeto percorrido por ele no vídeo acima.

Ele seguiu o curso do rio e, em um dos pontos, precisou pular uma cachoeira,
outra medida arriscada.

> “As pessoas devem esquecer essa ideia errada de que é preciso insistir e ir em
> frente. Isso torna a busca muito mais complexa, uma vez que é preciso buscar
> uma pessoa em movimento constante. O ideal é realmente parar e tentar, dentro
> do possível, manter a calma e aguardar”, reforçou.

Caius ressalta que o cadastro obrigatório na entrada de parques também é um item
fundamental de segurança, pois permite aos gestores dos espaços saber quantas
pessoas entraram, onde estão e qual é a data prevista de retorno. Caso os
visitantes não retornem dentro do prazo informado, as primeiras medidas podem
ser tomadas, o que ajuda a agilizar eventuais operações de resgate.

O COSMO reforça que, prioritariamente, os trilheiros devem:

– ➡️ Fazer o cadastro obrigatório dos parques nos postos de controle dos órgãos
– responsáveis;
– ➡️ Não utilizar entradas alternativas ou ilegais;
– ➡️ Estar preparado para o objetivo pretendido;
– ➡️ Estar equipado adequadamente, com roupas e calçados apropriados, lanterna
– com baterias reserva, comida e água;
– ➡️ Levar telefone com bateria e buscar informações, preferencialmente, em
– fontes oficiais.

INVESTIGAÇÃO SOBRE O DESAPARECIMENTO FOI ARQUIVADA

1 de 5 Jovem se perdeu na trilha do Pico Paraná e passou cinco dias sozinho na
mata. — Foto: Bruno Fávaro/RPC

Jovem se perdeu na trilha do Pico Paraná e passou cinco dias sozinho na mata. —
Foto: Bruno Fávaro/RPC

No sábado (3), enquanto Roberto ainda estava perdido, a Polícia Civil passou a
investigar o desaparecimento
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/03/policia-investiga-desaparecimento-de-jovem-pico-parana.ghtml]
após a abertura de um Boletim de Ocorrência pela família de Roberto Tomaz, que
mora em Pinhais [https://dE.globo.com/pr/parana/cidade/pinhais/], na Região
Metropolitana de Curitiba [https://dE.globo.com/pr/parana/cidade/curitiba/].

Na ocasião, o delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimento da jovem que
acompanhava Roberto na trilha, além de outros montanhistas que o encontraram no
caminho e familiares dele.

Segundo o delegado, as investigações apontaram que não houve nenhum tipo de
infração penal, nem omissão de socorro.

>*”De acordo com o que foi apurado, Roberto teria passado mal na subida da
>*trilha e não na descida. Já na descida, ele estaria bem e não teria
>*apresentado nenhum sintoma que precisasse de algum tipo de socorro. Roberto
>*teria ficado para trás e teria pegado uma trilha errada e por essa razão ele
>*teria desaparecido”, afirmou Rodrigues.

Leia mais sobre o caso:

– Seguir rio, jejum e localização temporal: veja estratégias de sobrevivência
– do jovem
– ‘Se eu pudesse voltar no tempo, eu não tinha deixado ele’, diz amiga
– Vídeo mostra primeira conversa dele com a família
– Veja momento em que familiares descobrem que ele está vivo
– Montanhistas dizem que desaparecimento de jovem em trilha expõe falhas na
– gestão do Pico Paraná; Estado promete reforçar sinalização

CINCO DIAS PERDIDO

2 de 5 Mapa mostra caminho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná —
Foto: Reprodução/RPC

Mapa mostra caminho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná — Foto:
Reprodução/RPC

Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/02/bombeiros-fazem-busca-por-jovem-que-desapareceu-em-trilha-pico-parana-ano-novo.ghtml],
acompanhado de uma amiga
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/05/amiga-jovem-desaparecido-pico-parana.ghtml],
com o intuito de ver o primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto do Sul
do país. Após subirem o Pico Paraná, descansarem e encontrarem outros dois
grupos no cume, Roberto e a amiga iniciaram a descida com um dos grupos por
volta das 6h30 do dia 1º.

Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná fica a cerca de 90 km de Curitiba
[https://dE.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/05/o-que-e-o-pico-parana-onde-jovem-ficou-desaparecido.ghtml]
e o nível de dificuldade da subida é considerado alto. Incluindo ida e volta, a
trilha dura em torno de 13 horas.

Em um ponto anterior ao acampamento, Roberto se separou do grupo. Momentos
depois, segundo os bombeiros, o segundo grupo iniciou a descida, passou pelo
ponto onde a vítima tinha ficado, mas não encontrou com ele.

3 de 5 Jovem de 19 anos desapareceu enquanto fazia uma trilha no Pico Paraná —
Foto: Reprodução

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