Arte, memória e identidade: plataforma virtual reúne obras de artistas LGBT+ do interior de São Paulo
Centro de Memória online, lançado neste sábado (10), estreia com acervos de 30 participantes, incluindo seis cidades das regiões de Campinas (SP) e Piracicaba (SP).
O mapa será publicado neste sábado (10), com 30 artistas catalogados. — Foto: Jamal
Documentar, preservar e promover a memória de artistas LGBTQIAPN+ do interior de São Paulo: essa é a intenção do Centro de Memória online lançado neste sábado (10), que estreia com acervos de 30 participantes e inclui seis cidades das regiões de Campinas (SP) e Piracicaba (SP).
O Centro de Memória de Artistas LGBTQIAPN+ no Interior de São Paulo é realizado pelo projeto “MAIS – Memória, Arte, Identidade e Sustentabilidade”, fundado por Rafa Cavalheri, artista formado pela Unicamp. A plataforma compila registros de obras, textos curatoriais e trajetórias de artistas, seguindo os padrões de catalogação usados por museus.
Além dos nomes que já compõem o mapeamento, disponível no site maismemoria.org.br, há 136 artistas e coletivos inscritos que serão incorporados gradualmente. Segundo o idealizador, a plataforma é uma forma de buscar representatividade e reparação histórica.
> “São tantas camadas. Mas a primeira é a representatividade, porque falamos da existência de pessoas LGBT no mundo das artes mas falta documentação sobre isso, o que é importante para quando estudamos ou buscamos uma referência. Além da reparação histórica. Estamos falando de uma comunidade que sofre violência desde sempre”, afirma Cavalheri.
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COMO SURGIU O PROJETO?
Cavalheri nasceu em José Bonifácio, também no interior de SP. Ele conta que a ideia começou a ser desenvolvida em 2022, a partir de investigações acadêmicas e de sua prática como curador. Ele explica que percebeu em suas pesquisas “a ausência de um mapeamento e registro da memória da comunidade artística LGBTQIAPN+, especialmente no interior”.
A partir daí, o Centro de Memória ganhou corpo. O projeto foi contemplado por um edital do ProAC, o que permitiu a formação da equipe, a estruturação das ações e a formalização do MAIS como um centro dedicado à preservação das memórias e produções LGBTQIAPN+.
Olho virado, série Cabeças, 2016 — Foto: Eduardo Sancinetti
> “Esse projeto comprova, de forma empírica, a imensidão artística do nosso interior, e que precisamos pensar sobre essas produções, criar espaços para apresentar nossos trabalhos, independente do assunto ou gênero. Trocar com nosso interior que é tão rico, cheio de histórias, tradições e inovações”, afirmou.
Para Cavalheri, essa preservação é importante para reconstruir as narrativas de um grupo que sempre sofreu violências.
> “Desenvolvemos uma nova narrativa em cima de histórias. Criamos um lugar para confrontar o que foi falado, escrito e construído em cima da violência. E, com essa documentação, conseguimos de alguma maneira mostrar que não é bem assim. As pessoas estão aqui, elas existem assim, o trabalho delas é esse, elas pensam dessa forma”, comenta.
Na região, o mapeamento passou pelas cidades de Campinas, Piracicaba, Limeira, Monte Mor, Iracemápolis e Espírito Santo do Pinhal. Além dessas, também participaram artistas de Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Sorocaba, Jundiaí, Barretos, Lins, Itapecerica da Serra, Ourinhos, Sertãozinho, Votorantim, Capão Bonito, Tambaú e Ilhabela.
Tempo de Liberdade, 2011 — Foto: Enzo Ferrara
ACERVO VIVO
Dividido em sessões, o catálogo do Centro de Memória concentra informações dos e das artistas do interior, como local de nascimento, onde atua, inspirações, obras, trajetória, técnicas utilizadas, além de exposições virtuais.
> “Criamos um setor sobre a trajetória do autor, que mostra se ele dialoga com galerias de arte, coletivos, movimentos culturais, museus. Esse mapeamento identifica o porquê dessa trajetória, a complexidade dessas pessoas, e por fim, as principais exposições que a pessoa participou”, explica Cavalheri.
O artista conta que o objetivo é que o Centro de Memória atue como um “acervo vivo”.
> “A gente está descobrindo uma estética interiorana, de questões do interior, da vivência do interior, que só quem vive no interior percebe. Antigamente a gente tinha essa visão de que o acervo era um lugar de depósito, de documento. Hoje em dia, a gente enxerga a potência que isso é”, comentou.
Sereia Maculata, 2025 — Foto: Luana Cristini
SOBRE O MAIS
O projeto MAIS existe desde 2024 e nasceu, segundo Cavalheri, a partir da lacuna na construção de documentação e acervo de artistas LGBTQIAPN+.
O MAIS também oferece oficinas, aulas, curadorias, e orientações para artistas. As atividades do programa são gratuitas, online e são divulgadas nas redes sociais.
Em 2025, o projeto conta com a participação das pesquisadoras Graziela Zanin Kronka e Ana Cecília Pereira Batista, além da equipe técnica formada pelo designer gráfico João Maiolini e pelo programador e web designer Renan Dadelte.
Sem título, 2023 — Foto: Dora Romantini
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