Há dez anos morria David Bowie, um enigma que redefiniu a cultura pop. Sua morte aos 69 anos deixou uma lacuna na história da música. Por trás dos alter egos, dos figurinos excêntricos e da maquiagem, o artista britânico tratou sempre dos mesmos temas: isolamento, abandono, medo e ansiedade.
O astro do rock David Bowie participa de uma coletiva de imprensa em Los Angeles, Califórnia, em 1990 — Foto: Marilyn Weiss/AP Photo. “David Bowie morreu em paz, cercado por sua família, após uma corajosa batalha de 18 meses contra o câncer”, dizia a postagem na página oficial do astro pop britânico no Facebook, um dia após a morte dele, em 10 de janeiro de 2016.
Os fãs reagiram com perplexidade, incredulidade e condolências. A postagem pedia respeito à “privacidade da família durante seu período de luto”, não fornecendo mais detalhes. Além da esposa, a modelo Iman Mohamed Abdulmajid, o músico deixou dois filhos, Alexandria e Duncan Jones.
O primeiro grande sucesso do artista, nascido em 8 de janeiro de 1947 no bairro londrino de Brixton, foi “Space Oddity”, em 1969. Depois de cultivar a androginia no início da carreira, uma de suas marcas registradas era a capacidade de mudar frequentemente de aparência e de estilo musical.
Durante a era do glam rock, na primeira metade da década de 70, Bowie, cujo nome verdadeiro era David Jones, adotou como seu alter ego um astro de rock extraterrestre, o bissexual Ziggy Stardust. A sexualidade do próprio músico permaneceu tema de especulações, que variavam de gay e bissexual a “hétero enrustido”, nas diferentes fases de sua vida.
De 1976 a 1978, ele viveu em Berlim. Nessa época de dificuldades pessoais e artísticas, em que lutava contra a dependência das drogas, Bowie produziu três álbuns. Uma das principais canções foi uma colaboração com Brian Eno, a icônica “Heroes”.
Os primeiros anos da década de 1980, marcados pelo hit “Let’s dance” e uma grande turnê pelos Estados Unidos, foram uma fase áurea para Bowie. Calcula-se que, ao longo de mais de meio século de trajetória, ele tenha superado os 140 milhões de discos vendidos em todo o mundo.
Criador polivalente e irrequieto, Bowie também foi produtor, arranjador e pintor. Como ator cinematográfico, o alienígena de “O homem que caiu do céu” (1976), o vampiro de “Fome de viver” (1983), o oficial britânico transgressor de “Furyo – Em nome da honra” (1983) ou o inventor Nikola Tesla em “O grande truque” (2006) contam entre suas atuações notáveis.




