Repercussão da morte de Manoel Carlos: artistas prestam homenagens ao autor de novelas aclamado no Brasil

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Na minha vida, ele foi fundamental: artistas repercutem a morte de Manoel Carlos

Autor morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte
não foi divulgada.

Manoel Carlos durante entrevista no Rio de Janeiro em outubro de 2016 —
Foto: Estevam Avellar/Globo

Autor de grandes novelas da TV brasileira, Manoel Carlos morreu neste sábado
(10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.

Além de autor, foi também produtor, escritor, diretor e ex-ator. Ele deixa duas
filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista de novelas Maria Carolina.

Veja abaixo a repercussão da morte do autor.

LILIA CABRAL

‘A história que ele contou vai ficar para sempre’, diz atriz Lilia Cabral sobre
Manoel Carlos

‘A história que ele contou vai ficar para sempre’, diz atriz Lilia Cabral sobre
Manoel Carlos

Em entrevista à GloboNews, a atriz Lilia Cabral lamentou a morte de Maneco. Em
Páginas da Vida, a atriz deu vida a Marta, uma das mais icônicas vilãs da TV
brasileira.

> “Acho que, para a minha vida, ele foi fundamental, porque as pessoas deixaram
> de me enxergar apenas como uma atriz divertida, colorida, e ele me enxergou
> como uma atriz densa, com a possibilidade de dar tristeza e profundidade a
> muitos personagens que eu fiz nas novelas dele”, disse.

“Eu queria estar do lado dele agora, mas acho que não vai ser possível. Queria
ter agradecido a ele. Eu sempre agradeci em todos os meus posts, toda hora que
eu falo, todas as novelas que reprisam, eu falo da importância dele na minha
vida, mas acho que não foi o bastante.”

TAÍS ARAÚJO

Taís Araújo se pronuncia sobre a morte de Manoel Carlos — Foto:
Reprodução/Instagram

“Obrigada por ter acreditado em mim e por ter me transformado.

E, principalmente, obrigada por fazer o Brasil sonhar e ser mais bonito. Seu legado na teledramaturgia jamais será esquecido por todos nós. ❤️”

DAN STULBACH

“Soube agora do falecimento do Manoel Carlos, algo que me toca profundamente e
me inspirou como espectador de tantas novelas que eu assisti da sua maneira
única de retratar a sociedade, seus anseios, suas dores, suas alegrias, suas
tristezas, algo profundamente humano. E ele era capaz de fazer isso de uma
maneira tão especial, tão única, né, de retratar cada um de nós.

Cada um de nós a gente se sentia naquele, naquele universo dele com tudo feito
com muita simplicidade, sensibilidade e também mudou minha vida através do
personagem que ele escreveu com Marcos, uma parceria, parceria linda que nós
tivemos na novela Mulheres Apaixonadas. Acho que isso aconteceu não só comigo,
mas com diversos atores e com diversos espectadores, repito, que se viram
espelhados nesses personagens todos, nesse universo maravilhoso que ele teve
sempre a capacidade única de criar.

É um artista único, é de uma trajetória única, vasta, imensa, um enorme artista
que a gente perde agora. Minhas condolências e sentimentos a famílias, a
família, seus amigos e a todos.”

CAROLINA FERRAZ

Carolina Ferraz se pronuncia sobre a morte de Manoel Carlos — Foto:
Reprodução/Instagram

“É com grande pesar que venho prestar minha homenagem a este autor que tantas
coisas boas fez na dramaturgia brasileira. Tive o prazer de estar com ele em
algumas de suas obras e sempre fui surpreendida com sua generosidade e
habilidade incrível de tratar o dia a dia com poesia.

Maneco sempre escreveu muito bem para mulheres, suas personagens femininas são
inesquecíveis e foram vividas por um grande elenco de atrizes talentosíssimas.

Sei do seu afastamento nos últimos anos por razão de saúde e sempre, quero
repetir sempre, fui e serei agradecida pela parceria e oportunidades maravilhosas! Trabalhar com vc foi um grande prazer.

Um beijo grande e carinhoso, cheio de respeito à toda família.”

GABRIELA DUARTE

Gabriela Duarte se pronuncia sobre a morte de Manoel Carlos — Foto:
Reprodução/Instagram

“ETERNAMENTE. Serei eternamente grata a você, Maneco, por ter me dado a grande chance
profissional da minha vida. Se não fosse você, toda a minha história poderia ter sido diferente.
Obrigada por tantas histórias lindas, genialmente contadas, inesquecíveis. O Brasil te aplaude de pé.
Você está eternizado em nossa cultura e em nossos corações.
Meus sentimentos a @jules_almeida e aos familiares.”

ALINNE MORAES

“São tantas histórias, tantos aprendizados e lembranças. Obrigada por tudo!
Descanse em paz, Manoel Carlos.”

CLAUDIO CASTRO, GOVERNADOR DO RIO DE JANEIRO

“O Rio de Janeiro perdeu um de seus maiores apaixonados, e o Brasil, um contador
de histórias inigualável. Recebo com profunda tristeza a notícia do falecimento
de Manoel Carlos, um dos mais importantes nomes da teledramaturgia brasileira.

Grande amante do Rio, ele ajudou a projetar nosso estado para o mundo,
transformando nossas paisagens e cotidiano em cenários vivos de suas tramas,
sempre exaltando a beleza, os costumes e a alma do nosso povo.

Me solidarizo com os familiares, amigos e admiradores neste momento de dor. O
legado de Maneco permanecerá vivo na cultura brasileira e na história da nossa
televisão.”

EDUARDO PAES, PREFEITO DO RIO DE JANEIRO

“Um dos maiores cronistas do jeito de ser carioca. Meus sentimentos aos amigos e
familiares. Viva, Manoel Carlos!”

A HISTÓRIA

Maneco, como era conhecido, começou na Globo em 1972, como diretor-geral do
“Fantástico”. Antes disso, já havia passado por diversas emissoras brasileiras,
atuando como autor, produtor e até ator. A carreira artística começou ainda nos
palcos, aos 17 anos.

Ao longo dos anos, suas novelas ficaram marcadas pelo Rio de Janeiro como
cenário — e também como personagem — e pela abordagem de conflitos no núcleo da
família brasileira.

Outro traço marcante de sua obra foram as “Helenas”. De Baila Comigo (1981) a Em
Família (2014), as personagens retratavam mães cujo amor pelos filhos superava
qualquer desafio.

CARIOCA DE CORAÇÃO

Manoel Carlos nasceu em 1933, em São Paulo. Apesar disso, sempre se considerou
carioca de coração.

Filho de um comerciante e uma professora, Maneco começou sua trajetória
profissional aos 14 anos como auxiliar de escritório, mas já estava conectado às
artes desde então, se reunindo diariamente com um grupo de jovens na Biblioteca
Municipal de São Paulo para ler e discutir literatura e teatro.

Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fabio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho
faziam parte deste grupo, batizado de Adoradores de Minerva.

Manoel é pai da atriz Júlia Almeida e da roteirista de novelas Maria Carolina,
que colaborou com ele em diversas obras. O autor teve outros três filhos, que
faleceram: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida (morto em 1988), o diretor
Manoel Carlos Júnior (2012) e o estudante de teatro Pedro Almeida (que morreu
aos 22 anos, em 2014).

ESTREIA NA CARREIRA ARTÍSTICA

Apesar de todo seu sucesso como autor, Maneco iniciou sua carreira artística
como ator. Aos 17 anos, atuou no “Grande Teatro Tupi”, um programa de teleteatro
da TV Tupi. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e estreou como
produtor e diretor.

Em 1952, começou a escrever programas da TV e iniciou uma trajetória por várias
emissoras, passando pela fase inaugural da TV Record e pela TV Itacolomi, de
Belo Horizonte, além de uma estada no Jornal do Commercio, em Recife. Na TV
Tupi, do Rio de Janeiro, adaptou mais de 100 teleteatros.

Na década de 1960, Manoel Carlos participou das últimas produções da TV
Excelsior.

E na TV Rio, entre outros projetos, dividiu a redação do programa “Chico Anysio
Show” com Ziraldo e Mário Tupinambá, e dirigiu “O Homem e o Riso”, também com
Chico.

Na TV Record, fez parte da equipe que escreveu e produziu programas como “Hebe
Camargo”, “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Esta Noite se Improvisa”, “Alianças
para o Sucesso”, “Para Ver a Banda Passar” e “Família Trapo”.

TRAJETÓRIA NA TV

Maneco estreou na TV Globo como diretor-geral do “Fantástico” em 1972,
permanecendo no programa por três anos.

Em 1978, fez sua primeira novela para a emissora, a “Maria, Maria”, uma
adaptação do romance “Maria Dusá’” de Lindolfo Rocha. No mesmo ano, adaptou o
romance “A Sucessora”, de Carolina Nabuco. A novela tinha estrelas como Susana
Vieira, Rubens de Falco e Arlete Salles.

O autor inspirou em sucessos da radionovela para consolidar seu estilo de
escrita em dramaturgia.

Em 1980, além de escrever alguns episódios do seriado “Malu Mulher” –
protagonizado por Regina Duarte –, foi convidado por Gilberto Braga para
dividir a autoria de “Água Viva”.

A novela contava com Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Tônia Carreiro,
Glória Pires, entre outras estrelas.

Além de suas históricas novelas, Manoel Carlos também escreveu minisséries como
“Presença de Anita” (2001), e ‘Maysa – Quando Fala o Coração’ (2009).

HELENAS, RIO DE JANEIRO E CONFLITOS FAMILIARES

Em 1981, escreveu “Baila Comigo”, novela que levou sua primeira Helena ao ar. A personagem era interpretada pela
atriz Lílian Lemmertz.

As “Helenas” foram peças marcantes dos trabalhos de Maneco. Heroínas nas tramas, as personagens eram mães cujo amor pelos filhos era capaz de superar qualquer
desafio.

Ao Memória Globo, Maneco explicou que a origem do nome vem de sua paixão pela
mitologia grega: Helena é o símbolo da mulher forte, guerreira e capaz de tudo
em nome do amor.

“Elas são aquelas mães abnegadas e ao mesmo tempo não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa, né? Elas são mentirosas, elas escamoteiam a verdade em benefício de um filho, por exemplo. Elas defendem um filho até a injustiça. É muito difícil alguém escapar, uma mulher escapar da sua semelhança com a própria mãe”, contou Manoel ao “Fantástico” em 2014.

Outras marcas do autor em suas novelas são o Rio de Janeiro como cenário e o mergulho em conflitos familiares.

“Dizem que eu faço uma dramaturgia realista, naturalista, mas eu não acho nada
disso. Procuro apenas fazer uma coisa verossímil. O amor se parece em todas as
línguas, todos os países. O ódio, a inveja, o ciúme. E eu retrato só essas coisas, entende? E isso tudo existe em qualquer família. Eu ouço muito conversa em café, em bar, e tudo se parece”, explicou ele em entrevista à Globo News em 2016.

Além disso, ele também motivava ações socioeducativas, abordando temas como campanhas para doação de medula, contra o alcoolismo, violência contra a mulher, preconceito e inclusão social.

“Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento. E o público acaba absorvendo as tramas de uma maneira mais leve”, afirmou o autor em entrevista ao Memória Globo.

Em 1991, Maneco levou para a TV a novela “Felicidade”, que começou a esboçar 12
anos antes. A trama foi inspirada em diversos contos de Aníbal Machado e levava
a segunda Helena de Maneco, interpretada por Maitê Proença.

Em 1995, mais uma Helena aparecia na tela em “História de Amor”. A personagem de
Regina Duarte integrava um triângulo amoroso e era apaixonada por Carlos Alberto
(José Mayer), um médico casado com sua rival, Paula (Carolina Ferraz). A autor
já afirmou que escreveu a novela para as duas atrizes.

Três anos depois, levou a história de uma mãe que abre mão de seu filho em nome
de outra filha, na novela “Por amor”. Novamente, Helena foi interpretada por
Regina Duarte.

Outra história de sacrifício materno que marcou a carreira de Maneco foi em
“Laços de Família” (2000). Na trama, Vera Fischer viveu Helena, uma mãe que que
descobre que sua filha está com leucemia e que a única forma de salvá-la era
gerar um filho do mesmo pai da garota. Porém, ela não ama mais o homem.

A novela traz uma das cenas mais marcantes das novelas de Maneco: o momento em
que Carolina Dieckmann, intérprete de Camila, raspa o cabelo. O autor afirmou
que escreveu a personagem especialmente para a atriz.

Com a novela, Maneco venceu vários prêmios como Troféu Imprensa, Troféu Internet
e Prêmio Extra de Televisão.

Em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003), Maneco exaltou a força feminina e colocou
Christiane Torloni como sua Helena.

“Acho que a mulher move o mundo, não só pelo fato dela ser geradora do ser
humano, mas porque eu acho a mulher mais forte, mais sofrida, e injustiçada. Tem
mais dificuldade na vida e no trabalho e ela faz disso uma fortaleza”, explicou
o autor ao falar sobre a novela.

Em 2006, trouxe Regina Duarte para sua terceira Helena. Desta vez, uma médica em
“Páginas da Vida”.

Três anos depois, estreou “Viver a Vida”, com Taís Araújo estrelando a primeira
Helena negra de Maneco. A atriz interpretava uma top model internacional que, no
auge da carreira, largava a profissão para se casar com Marcos (José Mayer), que
tem uma filha que luta para se recuperar de um acidente que a deixou
paraplégica.

A última Helena de Maneco foi a herdeira de sua primeira musa: o autor convidou
Julia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, para estrelar “Em Família” (2014).

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