Governo reforça sinalização em acesso irregular usado por jovem que se perdeu no Pico Paraná
Diretor do órgão disse que há investimento em infraestrutura e Unidades de Conservação estão sendo sinalizadas. Para ele, vandalismo e a extensão da cobertura da gestão são pontos de dificuldade para o órgão.
Montanhista aponta problemas na sinalização do Pico Paraná
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O Instituto Água e Terra (IAT), órgão responsável pela gestão ambiental no Paraná, reforçou a sinalização em uma entrada irregular do Pico Paraná, por onde passou o jovem de 19 anos que se perdeu e ficou cinco dias desaparecido [https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/05/jovem-encontrado-parana.ghtml]. Relembre o caso abaixo.
Segundo o IAT, a cerca que restringe o acesso à área do parque foi reforçada e uma nova placa foi instalada no local. A sinalização alerta que a entrada por aquele ponto é proibida e orienta os visitantes a se dirigirem à base do instituto, onde os funcionários fazem o registro obrigatório dos trilheiros.
De acordo com o diretor do Patrimônio Natural do IAT, Rafael Andreguetto, o órgão vem implantando novas sinalizações nas Unidades de Conservação e investindo em infraestrutura. Ele ressalta, no entanto, que o vandalismo e a grande extensão das áreas sob gestão dificultam esse trabalho.
“Não tem como colocar sinalização em todas as áreas. Claro que precisa ser melhorado, mas, ao mesmo tempo, nós temos de forma recorrente o vandalismo. O Instituto Água e Terra tem promovido a implantação de sinalização, com investimentos perto de R$ 50 milhões em infraestrutura em unidades de conservação. São 74 unidades de conservação no estado e são quase 40 unidades que têm visitação e que demandam dessa infraestrutura recorrente”, detalha.
IAT sinaliza entrada irregular por onde jovem que se perdeu acessou a trilha do Pico Paraná. — Foto: Divulgação/IAT
Segundo o IAT, o complexo que dá acesso ao Pico Paraná conta com trilhas sinalizadas, que devem ser reforçadas nos próximos dias, além de um plano de uso público que tem a segurança como um dos principais pilares.
Em nota enviada à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o instituto destacou ainda que o planejamento da gestão do parque “parceria com associações especializadas como a Federação Paranaense de Montanhismo (Fepam) e o Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo), que ajudam na educação ambiental, conscientização e resgate de montanhistas”.
Já a Fepam divulgou uma nota pública na qual critica o que chamou de “descaso com os parques de montanha do Paraná” e cobra mais diálogo com o órgão ambiental. Segundo a nota, a Federação mantém há mais de cinco anos um Termo de Cooperação Técnica com o IAT, para dar apoio ao órgão, realizando voluntariamente mutirões e também no controle de acessos, combate a incêndios florestais e doações de equipamentos.
A cobrança por melhor sinalização no parque se intensificou após o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, encontrado com vida depois de passar cinco dias perdido na mata. Ele andou cerca de 20 quilômetros até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, onde pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e comunicou que estava vivo.
Em entrevista à RPC, ainda no hospital, Roberto contou que se perdeu da trilha ao se confundir com a sinalização.
O montanhista Wiliam Domingues, que tem experiência na subida do Pico Paraná e outras montanhas da região, explica que as garrafas mencionadas por Roberto são um estoque de água mantido para combate a incêndios florestais.
Segundo o montanhista, a região tem pouca sinalização, com algumas placas que apontam a direção dos diferentes morros.
Por se tratar de uma trilha de dificuldade alta, Wiliam sugere um modelo de sinalização adotado em outros parques pelo Brasil, com a colocação de fitas reflexivas a cada 100 ou 300 metros do caminho.
Após o episódio envolvendo Roberto, o Instituto Água e Terra (IAT) reforçou a importância de seguir medidas de segurança ao fazer trilhas e visitar parques estaduais.
O não cumprimento da medida pode dificultar ações de resposta em casos de emergência, além de punições aos visitantes que desrespeitam as regras. Um decreto federal determina que adotar condutas em desacordo com os regulamentos e orientações da UC pode resultar em multas que vão de R$ 500 a R$ 10 mil.
Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o intuito de ver o primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto do Sul do país. Após subirem o Pico Paraná, descansarem e encontrarem outros dois grupos no cume, Roberto e a amiga iniciaram a descida com um dos grupos por volta das 6h30 do dia 1º.
As buscas por Roberto começaram ainda no dia 1º de janeiro, por volta das 13h45 e envolveram bombeiros, voluntários e recursos diversos, como drones, rapel e câmeras térmicas.
Por se tratar de uma trilha de dificuldade alta, Wiliam sugere um modelo de sinalização adotado em outros parques pelo Brasil, com a colocação de fitas reflexivas a cada 100 ou 300 metros do caminho.




