Por que Goiânia é a capital das feiras: encantando turistas e famosos

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Entenda por que Goiânia é conhecida como a capital das feiras e encanta turistas e famosos

Atualmente, Goiânia conta com 122 feiras livres cadastradas. Elas vendem desde verduras, frutas e carnes até roupas, acessórios, artesanato e comidas típicas.

Entenda por que Goiânia é conhecida como a capital das feiras e encanta turistas e famosos

Ir à feira faz parte da rotina e da identidade cultural de Goiânia. Seja para comprar frutas frescas, comer um pastel com caldo de cana, escolher roupas, encontrar amigos ou simplesmente passear, as feiras seguem como um dos principais pontos de encontro dos goianienses e também de turistas e famosos que passam pela capital.

Atualmente, Goiânia conta com 122 feiras livres cadastradas, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec). As feiras comercializam desde verduras, frutas e carnes até roupas, acessórios, artesanato e comidas típicas.

A administradora Paula Oliveira, de 38 anos, conta que voltou a frequentar feiras após perceber a diferença na qualidade dos produtos. “Aqui é tudo fresquinho, orgânico. A qualidade da fruta e da verdura é totalmente diferente do supermercado”, disse.

Para a goiana a feira também faz parte da identidade de quem vive na capital. “É uma coisa muito goiana. A feira pertence ao goiano e o goiano pertence à feira”, afirmou Paula.

A servidora pública Andriele Ávila, de 36 anos, é do Mato Grosso, mas mora em Goiânia há mais de uma década e “pegou” a paixão por feiras do goiano. “O custo-benefício é incomparável. A qualidade é muito boa, o preço é melhor e ainda incentiva os pequenos produtores. Toda semana eu estou aqui”, contou.

As feiras de Goiânia também ganharam projeção nacional ao entrarem no roteiro de famosos que visitam a capital e fazem questão de vivenciar a cultura local. Durante uma passagem por Goiânia, a jornalista Patrícia Poeta aproveitou para passear por uma feira da cidade, onde experimentou pratos típicos como pamonha, jantinha e doces regionais. Em entrevistas e postagens nas redes sociais, ela destacou o acolhimento do povo goiano e a força das tradições mantidas nesses espaços.

Mais recentemente, a cantora Ana Castela chamou atenção ao levar as filhas do cantor Zé Felipe para comer pastel em uma feira quando os dois ainda namoravam. O passeio descontraído, registrado nas redes sociais, atraiu olhares de frequentadores e reforçou como as feiras seguem sendo ponto de encontro não só de moradores, mas também de celebridades em momentos de lazer.

Segundo o secretário executivo da Secretaria de Gestão de Negócios e Parcerias, José Silva Soares Neto, as feiras livres surgiram em Goiânia ainda na década de 1940, como forma de garantir o abastecimento de alimentos da população. “Com o tempo, as feiras se transformaram em polos de desenvolvimento econômico e social, reunindo comércio, gastronomia, lazer e convivência. Hoje, elas são vitrines da cultura goiana”, explicou.

Na década de 1960, surgiram as chamadas feiras especiais, com destaque para a Feira Hippie, considerada a maior feira livre do Brasil e da América Latina, com 6.884 feirantes cadastrados. Realizada aos domingos pela manhã, ela atrai compradores de todo o país, especialmente do Norte e Nordeste, com cerca de 40 ônibus por semana.

O empreendedor Vitor Hugo, de 29 anos, é um exemplo de como as feiras se tornaram porta de entrada para novos negócios. Formado em engenharia de produção, ele trabalhava como supervisor de logística, mas foi demitido durante a pandemia. Sem emprego formal, voltou às origens da família, que sempre trabalhou em feiras. Hoje, ele vende bolos e tortas e se tornou sucesso nas redes sociais com vídeos mostrando a rotina nas feiras. “Antes eu dizia que não queria trabalhar em feira, hoje tenho orgulho do que construí ali. A feira mudou a minha vida,” disse o confeiteiro.

Durante décadas famílias inteiras foram sustentadas pelas feiras de Goiânia. É o caso do feirante Admair Martins Pereira, de 59 anos, que trabalha em feiras de Goiânia há cerca de 30 anos. Com o dinheiro das vendas, o feirante contou que conseguiu pagar a formação dos dois filhos em universidades particulares. Um deles é formado em administração e o outro em direito. Admair ainda que acorda às 3h da manhã para buscar mercadorias. Ele trabalha em cinco feiras por semana e diz que o dia que deveria ser de descanso é usado para compras e preparo dos produtos. “Foi tudo pago com o dinheiro da feira. É um trabalho digno, mas precisa ralar muito,” afirmou.

As feiras de Goiânia também cumprem um papel central na economia local e no incentivo ao empreendedorismo. Segundo a gerente regional do Sebrae Goiânia, Larissa Ribeiro, esses espaços funcionam como uma das principais portas de entrada para quem deseja iniciar um negócio próprio. Goiânia é um grande polo de feiras e também um polo de moda. Esses ambientes permitem que o empreendedor comece pequeno, valide o produto diretamente com o público, se formalize como microempreendedor individual (MEI) e cresça de forma estruturada. A feira oferece baixo custo de entrada, contato direto com o consumidor e a possibilidade de ajustar preços, produtos e atendimento de acordo com a demanda real. “Quando o consumidor compra na feira, ele fortalece uma economia circular. Esse dinheiro fica em Goiás, movimenta outros negócios e contribui diretamente para o desenvolvimento local.” disse.

Estes exemplos demonstram o impacto positivo das feiras de Goiânia, não só na economia local, mas também na vida das pessoas que encontram nelas oportunidades de trabalho, qualidade de vida e preservação da cultura e tradições regionais. É esse conjunto de elementos que faz das feiras da cidade um ponto de encontro único, onde moradores, turistas e até famosos se reúnem para vivenciar a autenticidade e o colorido da cultura goiana. Com tantas opções e oportunidades, não é de se admirar que Goiânia seja conhecida como a capital das feiras, encantando a todos que têm o privilégio de conhecer e desfrutar desses espaços tão especiais.

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