Reza Pahlavi: herdeiro exilado convoca iranianos em onda de protestos

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Quem é Reza Pahlavi, o herdeiro exilado que convoca iranianos a ocupar cidades

Filho do último xá do Irã abandona discurso moderado e passa a defender ações diretas contra o governo em meio à maior onda de protestos dos últimos anos

DE PRÍNCIPE HERDEIRO AO EXÍLIO

Reza Pahlavi, ao longo de décadas, construiu sua imagem como um opositor moderado do regime iraniano em seu exílio nos Estados Unidos. Como ex-piloto de caça e defensor declarado de uma transição pacífica para um Estado laico e democrático, ele costumava pregar a resistência não violenta. Nos últimos dias, no entanto, seu tom mudou de forma radical. Aos 65 anos, Pahlavi passou a convocar a população para ações diretas contra o Estado, conclamando iranianos a ocuparem centros urbanos e se prepararem para seu iminente retorno ao país, gerando forte reação das autoridades de Teerã.

DE PRÍNCIPE HERDEIRO AO EXÍLIO

Reza Pahlavi nasceu em Teerã em 31 de outubro de 1960, sete anos após o golpe que derrubou o então primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh. Aos sete anos, foi oficialmente nomeado príncipe herdeiro do Trono do Pavão, posição que sugeria um futuro como xá. No entanto, a Revolução Islâmica de 1979 interrompeu esse destino. Aos 17 anos, Pahlavi deixou o Irã para treinar como piloto de caça nos Estados Unidos. Desde então, vive no exílio com a esposa e as filhas do casal, defendendo mudanças políticas pacíficas em seu país de origem.

CONVOCAÇÕES E PROMESSA DE RETORNO

Ao longo de mais de quatro décadas, Reza Pahlavi defendeu um referendo e mudanças políticas pacíficas no Irã. Recentemente, no entanto, sua retórica se tornou mais agressiva, pedindo greves em setores estratégicos e incentivando membros das forças de segurança a desertarem para se unirem à causa. Em meio aos maiores protestos antigovernamentais em anos, Pahlavi instigou seus apoiadores a hastearem a bandeira pré-1979 e ocuparem espaços públicos. A resposta do governo iraniano foi imediata, classificando os protestos como uma nova fase de insegurança e responsabilizando interferências externas.

DIVISÕES DENTRO DA OPOSIÇÃO

Apesar de ganhar visibilidade nas ruas, Reza Pahlavi enfrenta críticas crescentes dentro da própria oposição iraniana. Alireza Nader aponta que o herdeiro exilado tem se tornado fator de divisão dentro do movimento, com críticas ao seu círculo próximo e suspeitas de manipulação digital. Mesmo com essas fissuras, Pahlavi se mantém como o rosto mais visível da onda de protestos. Enquanto o governo dos EUA mantém distanciamento, deixando a escolha dos líderes para os iranianos, o príncipe exilado aposta suas fichas em uma última tentativa de recuperar o trono perdido há quase cinco décadas.

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