Cinema São Luiz: um ícone cultural no Recife, destaque em “O Agente Secreto” – Globo de Ouro 2026

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‘O Agente Secreto’: conheça o Cinema São Luiz, destaque no filme vencedor do
Globo de Ouro

Equipamento cultural é personagem na trama criada pelo diretor pernambucano
Kleber Mendonça Filho. Sala do cinema de rua fica no Centro do Recife e continua
traindo público apaixonado pela sétima arte.

Conheça o Cinema São Luiz [https://s04.video.glbimg.com/x240/13065387.jpg]

Conheça o Cinema São Luiz

Ícone da cultura pernambucana, o Cinema São Luiz, localizado no Centro do Recife
DE, ganhou destaque com o
recente sucesso internacional do filme “O Agente Secreto”. O longa-metragem, que
já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, fez história ao ganhar
dois prêmios no Globo de Ouro 2026
DE, no domingo (11), em Los Angeles.

O filme, dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho e protagonizado por
Wagner Moura, conquistou as estatuetas de melhor filme em língua não-inglesa e
de melhor ator em filme de drama. Com o prêmio, o ator baiano se tornou o
primeiro brasileiro a vencer na categoria masculina de atuação no Globo de Ouro.
Em 2025, Fernanda Torres foi a primeira brasileira a ganhar o prêmio
DE de melhor atriz com “Ainda estou aqui”.

“O Agente Secreto” tem, em sua maioria, a cidade do Recife como cenário. A trama
envolve as memórias urbanas da capital, trazendo para as telas pontos
históricos, como os cinemas de rua que atravessam gerações. Entre eles está o
Cinema São Luiz, um dos mais tradicionais espaços culturais da cidade.

Inaugurado em 1952 no térreo do Edifício Duarte Coelho, o cinema foi reaberto
para o público em novembro de 2024, após passar dois anos em reforma.

O equipamento cultural também é bastante mencionado no documentário “Retratos
Fantasmas”, filme de Kleber Mendonça Filho anterior a “O Agente Secreto”,
lançado em 2023 e escolhido do Brasil para disputar o Oscar.

Para além de cenário, o Cinema São Luiz também pode ser considerado um
personagem em “O Agente Secreto”.

Cenas cruciais do filme ocorrem dentro do cinema, que acolhe personagens
centrais da trama. É lá, inclusive, que trabalha como projecionista Seu
Alexandre (Carlos Francisco), sogro de Marcelo/Armando, personagem de Wagner
Moura.

Em entrevista ao DE em 2024, Kleber
Mendonça Filho disse que, para ele, o espaço funciona como um portal para o
passado e história do Recife.
“META_DESCRIPTION”: “Acho que o São Luiz é uma espécie de transporte para a
cultura e para o passado da própria cidade. Então, é como se todo mundo
entrasse aqui e isso aqui fosse um grande navio. Ao entrar aqui, você vai numa
viagem que pode durar duas horas, uma hora e meia e, no final, você é devolvido
exatamente para onde você estava: o Recife. Talvez a sua visão do Recife mude
pelo simples fato de você ter vindo ao Cinema São Luiz. É um navio. É um
Transatlântico”, disse o diretor.

A fala do cineasta recifense foi dada antes do lançamento do longa-metragem que
ganharia o Globo de Ouro em 2026. Mas, em suas palavras, já existia um
sentimento retratado na tela por “O Agente Secreto”: o cinema como refúgio da
história.

Ele também pontua a característica de o São Luiz ser muito fotogênico, e
considerado uma das salas de cinema mais bonitas do Brasil.

Localizada na Rua Aurora, de frente para o Rio Capibaribe, que corta a cidade,
sua fachada divide a paisagem com outros prédios históricos da cidade e não é
possível ser ignorada.

O letreiro branco com letras vermelhas chama a atenção de quem passa, contando
aos recifenses os filmes em cartaz e, por vezes, marcando partes da história,
como quando, na pandemia, lia-se “Cuidem-se. Em breve estaremos juntos”.

A entrada do cinema é marcada por duas colunas, que dão sustentação ao Edifício
Duarte Coelho, e pela porta de vidro com suntuosas molduras douradas. Quem entra
se depara com um grande painel de Lula Cardoso Ayres e um luxuoso revestimento
de mármore branco que envolve o chão, colunas e paredes.

Com uma única sala de exibição, o público é guiado às poltronas por um tapete
vermelho. Já a tela do cinema é emoldurada por vitrais coloridos em formato de
jarros de flores, de autoria de Aurora de Lima. Antes das sessões, eles são
acesos e dão um show à parte.

As luminárias são em bronze e as paredes têm revestimento em jatobá. Além disso,
o teto é coberto por grandes peças de tapeçaria.

O prédio foi tombado como monumento histórico pelo governo de Pernambuco em
2008. Ele é palco de diversos festivais de cinema e continua atraindo público
apaixonado pela sétima arte. Com ingressos a preços acessíveis, a sala do São
Luiz funciona, atualmente, nos finais de semana.

Com uma programação que celebra filmes nacionais e internacionais, o público
consegue conferir uma curadoria alternativa feita nos cinemas comerciais. A sala
é gerenciada pelo gestão estadual e, no balanço de 2025, teve 272 sessões de
cinema realizadas. Dessas, 112 foram gratuitas e as outras 160 comerciais.

Sem contar com as mostras e festivais, 248 filmes foram exibidos na tela
emblemática, sendo 55 longas-metragens brasileiros e 33 longas pernambucanos. O
público total para o ano foram de 33.692 pessoas.

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