Aniversário de Belém: Ailton Krenak e o fotógrafo japonês Hiromi Nagakura se reencontram na Amazônia, 30 anos depois
Belém completa 410 anos no dia 12 de janeiro e a data será marcada por um encontro raro: o retorno de Ailton Krenak e Hiromi Nagakura à Amazônia para conversar, juntos, sobre as viagens que realizaram pelo território nos anos 1990 — e sobre o que mudou desde então.
Krenak e Nagakura, há 30 anos, nas viagens por comunidades da Amazônia — Foto: Nagakura
O líder indígena e escritor Ailton Krenak e o premiado fotógrafo japonês Hiromi Nagakura estarão em Belém DE, de segunda-feira (12) a quarta (14), para participar de rodas de conversa sobre as viagens dos dois pelo território amazônico, na década de 1990. Os encontros, que celebram o aniversário de 410 anos da capital paraense, serão no Centro Cultural Banco da Amazônia, onde está em cartaz a exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, que documenta a jornada. Os encontros e bate-papos serão transmitidos ao vivo via os canais do Instituto Tomie Ohtake e do Banco da Amazônia no YouTube.
Também participam dos encontros as lideranças indígenas Isa Tximá Huni Kuin, Maria Alexandrina da Silva Pinhanta (Sãtsi), Maria Salete Caapir Krikati e Marineusa Pryj Krikati – que integram as comunidades fotografadas e poderão partilhar a experiência de viver da Amazônia, seus desafios e mudanças desde que os territórios foram fotografados até os dias atuais. A programação faz parte da exposição, que é uma realização do Instituto Tomie Ohtake, com patrocínio do Banco da Amazônia.
A mostra fotográfica “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak” registra viagens de Krenak e Nagakura entre os anos de 1993 e 1998. O acervo reúne 82 fotografias inéditas no Brasil, um retrato do dia a dia de povos indígenas da Amazônia. “Eu e Nagakura andamos por dezenas de aldeias nas cabeceiras dos rios Juruá, Negro e Demini, Tarauacá e Gregório, além de cortar estradas pelo cerrado e regiões de floresta onde a vida continua vibrante como nos primórdios da criação”, diz Krenak.
Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e ambientalista, Ailton Krenak é uma das vozes mais influentes do pensamento indígena contemporâneo. É autor dos livros “Ideias para adiar o fim do mundo” (2019), “A vida não é útil” (2020) e “Futuro ancestral” (2022). Atualmente vive às margens do Watu (Rio Doce), no território Krenak, onde segue atuando na defesa da vida, da floresta e das cosmologias originárias.
Fotógrafo, viajante e cronista visual das relações humanas, Hiromi Nagakura é formado em Direito e se tornou fotojornalista por vocação, atuando na agência Jiji Press antes de iniciar carreira independente. Esteve na África, Ásia, América Latina, Europa e Oceania, retratando povos nômades, comunidades em conflito e modos de vida ameaçados.
Samurai da Câmera, segundo Krenak, Hiromi Nagakura percorreu a floresta amazônica com o olhar sensível de suas lentes. “Por quase cinco anos, Nagakura visitou comigo as aldeias de nossos amigos. Às vezes a gente fica preocupado de observar a paisagem ao nosso redor mudando, mas seria interessante a gente observar também como a fotografia registra as mudanças que acontecem em nós, nas comunidades, nas nossas sociedades. Para além da paisagem, a fotografia consegue mostrar como o tempo muda a gente e muda a nossa perspectiva também”, disse o escritor indígena.
Serviço
Atividades da exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, dias 12, 13 e 14 de janeiro (segunda a quarta-feira). Acompanhe on-line: Canal Instituto Tomie Ohtake / Canal Banco da Amazônia.




