Como o sucesso do cinema nacional pode influenciar a política brasileira em 2026

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O cinema nacional está lavando a nossa alma, tão machucada pela tentativa de golpe e por escândalos, privilégios, insegurança e desigualdade social, e não se pode desconsiderar o efeito político, e particularmente eleitoral, que o sucesso internacional de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” pode ter no Brasil. O “País do Futebol” é também o País do cinema. Quem me lembrou do livro foi meu colega Igor Maciel, da Rádio Jornal (PE), quando falávamos dos dois filmes e de Fernanda Torres, Wagner Moura, Walter Salles e Kléber Mendonça Filho e da alegria geral, inclusive de brasileiros que vivem no exterior. Até da Suécia, da Espanha e de Taiwan recebi mensagens de amigos e parentes comemorando os dois prêmios no Globo de Ouro, a fala de Moura em português, para o mundo inteiro ouvir. Se Copas do Mundo, Olimpíadas, vôlei, skate, surf… e o cinema impactam o humor nacional e, tendem, por óbvio, a favorecer os presidentes de plantão. Que o diga o general-ditador Médici, que usou a vitória do Brasil na Copa de 1970, no México, como propaganda a seu favor e ferramenta para esconder o AI-5, a tortura e as mortes do regime. Logo, o presidente Lula tende a ser o maior favorecido do sucesso do cinema nacional e vai perseguir encontros e fotos com os vitoriosos – já considerados seus apoiadores. E tudo isso se torna mais forte pelo confronto entre ditadura e democracia e entre os governos de Jair Bolsonaro e de Lula. Isso não é torcida, são fatos. “Ainda Estou Aqui” e “Agente Secreto” trazem de volta, e com muita força, o drama individual de cidadãos do bem – um ex-deputado dedicado a Direitos Humanos e um professor universitário envolvido em projetos científicos muito úteis ao País –, focando o drama humano como síntese da tragédia coletiva num País que nunca fechou a página da ditadura e acaba de investigar, condenar e prender um ex-presidente e oficiais generais por tentativa de resgatar o arbítrio, o autoritarismo. Numa outra comparação, Lula-3 não é nenhuma maravilha na área da Cultura, mas nada, nada mesmo, poderia ser pior do que na era Bolsonaro, com Roberto Alvim, capaz de fazer apologia ao nazismo, Hitler e Goebbels, e depois Mário Frias, que posava para fotos, não com textos, partituras, pinturas, só com fuzis. Logo, Lula pode não ter nada a ver com os dois sucessos do cinema, mas tende a se favorecer com eles. E o Oscar vem aí! Não custa lembrar, porém, que a Copa criou o clima, mas quem elegeu FH em 1994 foi o Plano Real. Até agora, Lula conta com o favoritismo nas pesquisas, sua decantada sorte e as comparações com Bolsonaro, mas ele não tem nada perto de um Plano Real e está cercado de interrogações.

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