Pernambuco lança edital e volta a monitorar tubarões com microchips depois de 11 anos
Iniciativa busca mapear área de circulação e acompanhar o comportamento dos animais para evitar ataques. Na semana passada, turista foi mordida na perna em Fernando de Noronha.
Pernambuco vai retomar estudos de monitoramento de tubarões no litoral da Região Metropolitana
O governo de Pernambuco lançou um edital para retomar, após 11 anos, o monitoramento de tubarões no litoral do estado. A iniciativa busca acompanhar, com uso de microchips, o comportamento dos animais e os locais por onde eles circulam para evitar novos ataques (veja vídeo acima).
Segundo a gestão estadual, o trabalho de monitoração estava interrompido desde 2015. O documento prevê investimentos de mais de R$ 1 milhão no período de dois anos. A previsão é que o projeto seja retomado a partir de maio.
De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), desde 1992, Pernambuco registrou 80 ataques, sendo 67 no Grande Recife e 13 em Fernando de Noronha.
O caso mais recente aconteceu na sexta-feira (9), em Fernando de Noronha, onde a turista Dayane Dalezen, de 36 anos, foi mordida na perna por um tubarão-lixa. Após o ocorrido, ela foi atendida no hospital da ilha e liberada. O ferimento foi considerado sem gravidade.
De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD), com a retomada do monitoramento, será possível atualizar a base de dados sobre os tubarões que vivem em Pernambuco.
> “Os dados com os quais a gente trabalha hoje são antigos. A gente tem a base dos incidentes e a gente tem a base daquilo que era monitorado até onze anos atrás. O que a gente quer e vai poder fazer, a partir de maio deste ano, é identificar quantos tubarões tem em cada trecho de praia, em que horário eles chegam mais perto da costa e, a partir daí, poderem ser feitas as ações educativas, orientar a população e evitar os incidentes”, afirmou.
ÁREA MONITORADA
Atualmente, o monitoramento é realizado apenas no arquipélago de Noronha pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Com o edital, a expectativa é que o trabalho volte a ser feito em toda a costa continental.
“Esse edital encerra o prazo, no início de março, para a apresentação de propostas. Ele é um trabalho que tem que estar vinculado às instituições acadêmicas públicas. […] A gente vai ter um chip no animal, que vai estar conectado a um sistema e, a partir daí, a gente vai poder acompanhar, dentro de uma tela, quantos animais estão circulando em cada área”, explicou o secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD).
De toda a faixa litorânea de Pernambuco, que tem cerca de 187 quilômetros, a área que apresenta a maior probabilidade de ataques de tubarão é um trecho de 33 km entre a Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda.
No entanto, o banho de mar é proibido apenas na faixa de 2,2 km entre a Igrejinha e o Hospital da Aeronáutica, na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
O professor Paulo Oliveira, coordenador do curso de engenharia de pesca da UFRPE, que já atua no monitoramento em Fernando de Noronha, informou que a instituição pretende participar da seleção.
“[O monitoramento] consiste basicamente na captura dos animais, marcação e soltura, para a gente saber exatamente qual o padrão de deslocamento desses animais nessa região. Além disso, a ideia é transformar esses dados numa maneira que a população tenha uma facilidade maior de conhecer esses dados […]. É importante que a população saiba disso, já que, nesses 33 km, é uma área em que as pessoas utilizam o mar”, disse.




