Os prêmios internacionais conquistados pelo cinema brasileiro vão além do prestígio artístico e impulsionam a cadeia de produção audiovisual. A crescente visibilidade internacional do cinema brasileiro nos últimos dois anos, impulsionada por filmes como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, tem rendido prêmios relevantes da indústria cinematográfica e reacendeu o debate sobre os impactos dessas conquistas para o país.
Este movimento ficou ainda mais em evidência com a campanha de “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, que conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional e o Globo de Ouro de Melhor Atriz, prêmio entregue a Fernanda Torres em 2025.
Já em 2026, vieram novas conquistas: “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, venceu duas categorias no Globo de Ouro e está bem posicionado nas temporadas de premiações para receber algumas indicações ao Oscar, de acordo com veículos internacionais especializados como a revista Variety ou o site Gold Derby.
A evidência em premiações desse porte, no entanto, vai além do prestígio artístico e da comemoração nas redes sociais. O reconhecimento internacional movimenta toda a cadeia da produção audiovisual brasileira e amplia a visibilidade do Brasil como polo criativo, abrindo espaço para novos investimentos estrangeiros e parcerias internacionais.
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
Segundo o crítico de cinema Marcio Sallem, o Brasil tem aproveitado, já nos últimos anos, a abertura de mercados internacionais para o audiovisual brasileiro. Isso pode ser percebido na pluralidade de cineastas brasileiros que fazem produções ou coproduções internacionais. Eles financiam seus filmes não apenas através das leis de incentivo nacionais, mas também através de fundos e parcerias fora do Brasil.
Os efeitos dessa projeção já aparecem nos números da indústria cultural. Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam crescimento significativo nos pedidos de Reconhecimento Provisório de Coprodução Internacional feitos por produtoras brasileiras independentes.
As próprias produções premiadas refletem esse modelo de cooperação. “Ainda Estou Aqui” é uma coprodução entre Brasil e França, enquanto “O Agente Secreto” foi realizado em parceria com Alemanha, França e Holanda, reforçando a inserção do cinema nacional no circuito global.
Para a crítica de cinema Fabiana Lima, o Brasil também tem ampliado a presença em mercados internacionais, como o Marché du film (Mercado do Filme, em tradução para português) de Cannes, em 2024. Em 2024, nós tínhamos o maior estande de todos (no festival) e isso é muito importante porque esses espaços atraem as coproduções. As empresas vão lá e se interessam não apenas por coproduzir filmes nacionais, mas também por filmar no Brasil.
Além disso, Miriam Spritzer, integrante da Hollywood Creative Alliance, organizadora do Astra Awards, complementa o pensamento de que o reconhecimento internacional se traduz em vendas e parcerias internacionais. Para ela, isso acaba tornando o cinema um produto lucrativo e atraente para investidores e indústrias paralelas.



