Em artigo, Paul Krugman critica plano de Trump para exploração de petróleo na
Venezuela
Economista aponta custos elevados, riscos políticos e desinteresse das
petroleiras no projeto energético do presidente dos EUA
No dia 13 de janeiro de 2026, o renomado economista norte-americano Paul Krugman emitiu duras críticas à estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar a exploração de petróleo na Venezuela. Em um texto publicado em seu Substack, Krugman destacou que o plano apresentado por Trump está fadado ao fracasso por razões econômicas objetivas que foram ignoradas pelo governo norte-americano.
Durante uma reunião na sexta-feira, Trump se reuniu com executivos do setor de energia para discutir investimentos na Venezuela. O encontro, que originalmente seria reservado, acabou sendo transmitido ao vivo pela Casa Branca na expectativa de demonstrar o apoio das grandes petroleiras ao projeto. No entanto, nenhum executivo se comprometeu a investir no país sul-americano, mencionando apenas de forma genérica possíveis aumentos de produção, sem assumir obrigações concretas.
O presidente-executivo da ExxonMobil, Darren Woods, classificou a Venezuela como “não investível” nas condições atuais, o que gerou uma discussão entre Trump e a empresa. Krugman ressaltou que essa falta de interesse das companhias não é um caso isolado, citando um leilão de terras públicas no Colorado para exploração de petróleo e gás que não recebeu nenhuma oferta, mesmo com preços baixos, um dia antes da reunião.
O economista explicou que a produção de petróleo nos Estados Unidos atualmente é baseada no xisto, cuja extração só é viável com preços elevados, enquanto os valores atuais estão abaixo do necessário para estimular novos investimentos. No caso da Venezuela, as reservas são compostas principalmente por petróleo pesado, o que torna a extração mais cara e complexa, exigindo investimentos significativos na infraestrutura petrolífera do país.
Além dos desafios econômicos, Krugman também destacou os riscos de segurança na Venezuela, com a embaixada dos Estados Unidos emitindo alertas sobre a atuação de grupos armados e outros perigos que afastam investidores de longo prazo. Para o economista, a estratégia energética de Trump não foi derrubada por regulações ambientais, mas sim pelos custos e lucros envolvidos, que inviabilizam a viabilidade do plano do presidente no mercado atual.




