Paraíso de Santa Catarina que cobra até R$ 200 para entrada de turistas tem alta de 370% nos casos de diarreia
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram 409 casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026. A Prefeitura de Bombinhas contesta a alta e diz que houve uma reformulação do sistema de monitoramento.
Bombinhas (SC), conhecida pelas praias paradisíacas, tem enfrentado um aumento significativo nos casos de diarreia. A cidade, que cobra uma taxa ambiental de visitantes que pode chegar a R$ 200, contabilizou 409 casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026 — um aumento de 370% em relação ao mesmo período da temporada anterior, quando foram registradas 87 ocorrências. Os números foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SC).
Porém, a prefeitura argumenta que o aumento expressivo se deu em razão de uma reformulação do sistema de monitoramento e notificação, visto que o método anterior apresentava “fragilidades e subnotificação significativa”.
Bombinhas é o menor município em extensão de Santa Catarina, reconhecido como a Capital Nacional do Mergulho Ecológico, com três unidades de conservação e 39 praias, cinco delas com o selo Bandeira Azul. A quantidade de praias certificadas na cidade é a maior do Brasil, ao lado de São Francisco do Sul.
Segundo o Ministério da Saúde, as doenças diarreicas agudas (DDA) podem ser causadas por diferentes microrganismos infecciosos que resultam em gastroenterite. A infecção pode ser ocasionada pelo consumo de água e alimentos contaminados, contato com objetos ou pessoas contaminadas.
O crescimento da população de Bombinhas ao longo dos anos tem gerado problemas relacionados às construções irregulares, despejo de esgoto no mar e índices negativos de balneabilidade nas praias. Uma recente análise do Instituto do Meio Ambiente (IMA) revelou que oito dos 17 pontos analisados estão impróprios para banho, evidenciando a questão.
A prefeitura do município identificou inconsistências nos dados de doenças diarreicas agudas, reconhecendo que a avaliação foi feita a partir de prontuários médicos e atendimentos clínicos compatíveis com quadros de diarreia aguda que não estavam devidamente registrados nos sistemas oficiais.
A Águas de Bombinhas, responsável pelo tratamento de esgoto na cidade, explicou que os materiais encontrados na areia da praia de Quatro Ilhas eram sedimentos arenosos e não esgoto, contestando vídeos que circularam nas redes sociais.
A administração municipal promoveu uma reestruturação no sistema de monitoramento e notificação para assegurar maior precisão e confiabilidade dos dados epidemiológicos, incluindo padronização dos registros, orientação das equipes de saúde e aprimoramento dos instrumentos de coleta de dados.
A cidade de Bombinhas enfrenta desafios da crescente população turística em conciliação com a preservação ambiental e as metas de saneamento. A CEO do Trata Brasil destaca que o aumento de turistas gera maior volume de esgoto, aumentando o risco de contaminação e doenças gastrointestinais.
Apenas 18,21% da cidade de Bombinhas está conectada à rede de coleta e tratamento de esgoto, o que corresponde a cerca de 4,5 mil moradores. A falta de infraestrutura adequada de saneamento pode resultar em contaminação do mar e impactos negativos para os frequentadores das praias.
A preocupação com a poluição e o monitoramento rigoroso da balneabilidade são essenciais para garantir a segurança dos turistas e moradores de Bombinhas, além de preservar a beleza natural da região. A conscientização e ações efetivas são fundamentais para promover um turismo sustentável e saudável na cidade.




