Caso Master: decisão de deixar celulares com PGR é vista no órgão como janela
para reafirmar poder de investigação
Historicamente, MPF e PF disputam protagonismo em apurações criminais. Aparelhos
ficarão com Secretaria de Perícia da PGR; destino de carros apreendidos ainda
não foi definido.
Miriam Leitão: Toffoli toma decisão exótica sobre material apreendido pela PF
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Miriam Leitão: Toffoli toma decisão exótica sobre material apreendido pela PF
A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal
( STF ), de determinar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) fique com a guarda dos materiais
apreendidos na operação contra supostas fraudes do Banco Master foi vista dentro do órgão como uma oportunidade de reafirmação da prerrogativa do Ministério Público de investigar crimes.
Historicamente, o Ministério Público Federal e a PF disputam protagonismo em investigações criminais.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não pediu expressamente a Toffoli
para guardar os materiais apreendidos, mas deixou claro, em sua manifestação
sobre o tema, que a PGR tinha capacidade para extrair os dados dos celulares e
analisá-los.
Ao mesmo tempo em que ofereceu a Toffoli uma alternativa, Gonet acenou para seus
pares, com o fortalecimento do poder de investigação do MPF.
Os 39 celulares e 31 computadores apreendidos pela PF ficarão sob a
responsabilidade da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea) da PGR.
Membros da instituição destacam que a Sppea tem expertise e softwares para
extrair mensagens e documentos dos equipamentos eletrônicos e também tem espaço
para guardá-los.
A Sppea já realizou esse trabalho anteriormente, como no caso das
investigações dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Os celulares dos presos em
flagrante na Praça dos Três Poderes e no quartel do Exército foram periciados
nesse setor da PGR, relembrou um profissional do órgão.
Até o início da tarde desta quinta (15) o material apreendido ainda não havia
chegado à PGR. Como as apreensões ocorreram em vários estados, era esperado um
prazo para a PF reunir tudo e fazer a entrega.
Não há clareza ainda, na PGR, sobre a guarda dos outros bens apreendidos, como
os relógios e os 23 carros de luxo.
Segundo um procurador, a PGR não tem local para guardar veículos, que
possivelmente ficarão sob a guarda da PF, como nas outras operações.




