Após um encontro entre o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, foi anunciada uma “retomada da cooperação” entre China e Canadá. A aproximação entre os dois países representa uma mudança significativa nas relações bilaterais, marcando o primeiro contato direto entre seus líderes em oito anos. Em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, Pequim e Ottawa sinalizam uma tentativa de reconstrução dos laços políticos e comerciais.
A mudança de rumo nas relações sino-canadenses tem como pano de fundo o reavaliação da política externa do Canadá diante das posturas mais rígidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação aos países vizinhos. Durante a campanha eleitoral de 2025, Mark Carney havia afirmado que a China representava a principal ameaça à segurança global do Canadá. No entanto, declarações e medidas de Trump acabaram por modificar esse cenário, incentivando uma reconstrução da relação bilateral.
Após o encontro em Pequim, Carney defendeu essa reconstrução afirmando que ambos os países podem construir uma nova parceria adaptada às novas realidades globais. Setores como agricultura, energia e finanças são destacados como a base para essa nova relação estratégica. Xi Jinping concordou com essa avaliação e afirmou que os diálogos entre os dois países resultaram em avanços positivos, abrindo caminho para a assinatura de um acordo inicial de redução de barreiras comerciais.
O acordo inclui medidas como a diminuição de tarifas sobre veículos elétricos e sementes de canola. O Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa reduzida de 6,1%, em contraste com a alíquota anterior de 100% para carros elétricos produzidos na China. Essas medidas visam fortalecer a relação econômica entre os dois países e estimular o comércio bilateral.
As relações entre China e Canadá se deterioraram a partir de 2018, quando o Canadá prendeu uma diretora financeira da Huawei, atendendo a um pedido dos Estados Unidos. Em retaliação, a China deteve dois cidadãos canadenses sob acusações de espionagem. Esses episódios desencadearam um ciclo de sanções comerciais e acusações mútuas, afetando significativamente o relacionamento entre os dois países.
Diante desse histórico, Mark Carney defendeu recentemente uma estratégia de diversificação comercial para o Canadá. Ele afirmou que o país deveria buscar dobrar suas exportações para outras nações até 2035, a fim de reduzir a dependência dos Estados Unidos, seu principal parceiro comercial. Essa busca por ampliar os horizontes comerciais visa fortalecer a economia canadense e garantir maior estabilidade diante de cenários internacionais voláteis.




