Inquérito Civil apura exclusão de Milly Lacombe da Flim e levanta debate sobre liberdade de expressão

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O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu um Inquérito Civil para investigar a exclusão da jornalista e escritora Milly Lacombe da 11ª edição da Festa Litero Musical do Vale do Paraíba (Flim), realizada em São José dos Campos. A investigação foi iniciada após várias notícias apontarem possível censura e violação à liberdade de expressão e ao direito de acesso à cultura. A confusão teve início após a participação de Milly em uma entrevista ao podcast “Louva a Deusa”, onde uma crítica ao modelo tradicional de família viralizou.

A situação se agravou quando o prefeito Anderson Farias decidiu, juntamente com o vereador Zé Luís, não trazer mais a jornalista para participar da Flim, alegando questões de postura. O Ministério Público apontou que houve critérios subjetivos e convicções pessoais para silenciar uma voz plural em um evento cultural com recursos públicos, o que caracterizaria um ato de censura. Em meio à polêmica, a feira literária mais tradicional da cidade acabou sendo adiada para novembro.

O episódio gerou prejuízo cultural à população, resultando na descaracterização da curadoria original da feira. O MP determinou a oitiva de testemunhas, da própria jornalista e a requisição de documentos para aprofundar a investigação sobre o ocorrido. A Prefeitura de São José dos Campos negou um veto formal à participação de Milly Lacombe, alegando que a jornalista desistiu de participar do evento devido a críticas nas redes sociais.

A Festa Literária do Vale do Paraíba, considerada uma das maiores da região, teve a edição de 2025 adiada após a repercussão do veto à jornalista. Com uma programação alterada, a Flim atraiu um público menor do que nos anos anteriores. A feira, que promove diversas atividades culturais gratuitas, viu seu público encolher devido à polêmica envolvendo o veto à participação de Milly Lacombe.

A Flim, que completou 10 anos em 2025, é conhecida por seu prestígio e participação de renomados escritores nacionais e internacionais. O evento sempre foi realizado no Parque Vicentina Aranha, um importante cartão postal da cidade. A polêmica deste ano lembrou outra controvérsia anterior envolvendo a cantora Maria Gadú e o ex-presidente Lula em 2022, quando o cachê da artista foi suspenso devido a um ato político durante a feira.

A questão levantada pelo veto a Milly Lacombe na Flim trouxe à tona debates sobre liberdade de expressão e censura artística. O podcast “Louva a Deusa”, envolvido na polêmica, afirmou que a fala da jornalista foi utilizada fora de contexto para promover a desqualificação pública e o silenciamento. A investigação do Ministério Público busca esclarecer os fatos e garantir a integridade cultural e pluralidade dos eventos públicos.

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