O Massacre do Compaj, um dos eventos mais trágicos da história prisional do Brasil, teve um desdobramento importante na Justiça do Amazonas. Dois réus, Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira, foram condenados a penas que somam mais de 100 anos de prisão em regime fechado. Essa condenação marca o primeiro julgamento relacionado ao Massacre do Compaj, que resultou na morte de 56 pessoas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, no ano de 2017.
As sentenças dos réus foram divulgadas na quinta-feira (15), com Anderson Silva do Nascimento recebendo uma pena de 109 anos e 10 meses de prisão, enquanto Geymison Marques de Oliveira foi condenado a 11 anos e nove meses de prisão. Os crimes pelos quais foram condenados incluem, entre outros, homicídio qualificado, tentativa de homicídio, vilipêndio de cadáver, tortura e participação em organização criminosa.
O julgamento dos réus foi considerado um dos mais longos e complexos já realizados pelo Tribunal do Júri do Amazonas, iniciando em 9 de dezembro de 2025 e encerrando em 13 de dezembro do mesmo ano. Com a condenação, o mandado de prisão foi expedido pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, representando um marco importante na busca por justiça em relação ao Massacre do Compaj.
A rebelião que resultou no massacre durou 17 horas, com presos da facção Família do Norte invadindo a ala onde estavam detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital. O conflito resultou em corpos esquartejados, decapitados e queimados, além da fuga de 112 detentos. O rompimento entre facções rivais foi apontado como a principal causa do conflito, que foi liderado pela FDN. Posteriormente, outros episódios de violência foram registrados no Compaj, reforçando a necessidade de medidas para garantir a segurança nas prisões.
O Massacre do Compaj completou cinco anos no Amazonas, relembrando a gravidade do episódio e a importância de se buscar justiça para as vítimas. Com a condenação dos primeiros réus, avança-se na responsabilização pelos crimes cometidos durante a rebelião. A expectativa é que os demais processos relacionados ao massacre sejam pautados pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri ao longo do ano de 2026, possibilitando que a justiça seja feita e que os responsáveis sejam devidamente punidos por seus atos.




