Trump ameaça tarifa de 200% sobre vinhos franceses para pressionar Macron a aderir ao “Conselho da Paz”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes da França, alegando que a medida serviria para pressionar o presidente francês, Emmanuel Macron, a aderir ao “Board of Peace” (“Conselho da Paz”), iniciativa idealizada por Trump e apresentada como um mecanismo para ajudar a resolver conflitos internacionais.
A informação foi publicada pela Reuters, a partir de declarações do próprio Trump em Washington, em 19 de janeiro, em meio à reação cautelosa de governos e diplomatas ao convite encaminhado a dezenas de países para integrar a proposta americana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi convidado, mas ainda não se decidiu.
Segundo Trump, o aumento tarifário teria um objetivo explícito, forçar a entrada de Macron no conselho. Ao ser questionado por um repórter sobre a posição do presidente francês, que não pretende participar, Trump reagiu com deboche e provocação pessoal. “Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele estará fora do cargo muito em breve”, afirmou Trump, de acordo com o relato da Reuters.
Na sequência, o presidente norte-americano insistiu que usaria o comércio como alavanca para dobrar a resistência francesa, citando diretamente bebidas emblemáticas do país europeu. “Vou colocar uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes dele, e ele vai entrar, mas ele não precisa entrar”, disse Trump.
A França sinaliza recusa e expõe desconforto com a iniciativa. Apesar da pressão pública, um interlocutor próximo ao presidente francês afirmou que a França pretende recusar o convite “neste estágio”, segundo a Reuters. A sinalização, ainda que atribuída a fonte, sugere que Paris não quer legitimar um arranjo que, na forma como foi apresentado, levanta dúvidas sobre objetivos, governança e consequências diplomáticas.
O que é o “Conselho da Paz” e por que ele virou polêmica? Trump propôs a criação do “Board of Peace” em setembro do ano passado, quando anunciou um plano para encerrar a guerra em Gaza. Desde então, a iniciativa passou a ser descrita como um mecanismo de escopo mais amplo, voltado a “encerrar conflitos globalmente”, segundo o texto de convite enviado a líderes mundiais na semana passada e citado pela Reuters.
A carta prevê contribuição bilionária e cria barreira para permanência. De acordo com o documento mencionado pela Reuters, governos interessados em manter a participação por mais de três anos teriam de contribuir com US$ 1 bilhão em dinheiro. A exigência, além de elevada, coloca no centro do arranjo uma lógica de financiamento que pode ser interpretada como mecanismo de influência e hierarquização entre membros.
Putin convidado e a sinalização geopolítica por trás do conselho. Outro ponto destacado por Trump, segundo a Reuters, foi o convite ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para integrar o “Conselho da Paz”. Ao comentar o tema, Trump foi direto. “Ele foi convidado”, disse o presidente norte-americano. A menção a Putin adiciona uma camada geopolítica sensível.
Entre tarifas e diplomacia, o risco de transformar “paz” em disputa comercial. Ao ameaçar taxar vinhos e champanhes franceses para forçar Macron a aderir ao conselho, Trump desloca o conceito de “paz” para um terreno de coerção econômica. A retórica sugere que a adesão seria menos resultado de consenso diplomático e mais consequência de pressão comercial.




