“TJPE concede prisão domiciliar ao vereador Flávio do Cartório suspeito de “rachadinha” e desvios milionários”

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O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu prisão domiciliar ao vereador Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD), presidente da Câmara Municipal de Ipojuca, no Grande Recife. Ele estava preso desde novembro de 2025, suspeito de praticar esquemas de “rachadinha” e de desvios milionários de emendas parlamentares. Flávio do Cartório é um dos investigados pela Operação Alvitre, da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

A Operação Alvitre investiga o uso de empresas para desviar verbas de emendas parlamentares, instrumento utilizado pelos vereadores para destinar parte do orçamento municipal para projetos e áreas específicas. Flávio do Cartório foi preso num supermercado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, quando estava com o também vereador de Ipojuca, Professor Eduardo (PSD), que é vice-presidente da casa. Entretanto, somente o presidente da casa seguiu preso, enquanto o vice foi solto no dia seguinte. No momento em que foram presos, os dois vereadores estavam com R$ 14.267 em espécie, além de mais R$ 3.121 que estavam em envelopes no carro do presidente da Câmara.

Além disso, segundo a Polícia Civil, havia anotações com nomes de servidores da Câmara Municipal, mencionando valores que somam R$ 345 mil. A suspeita é de que o material indique o controle mensal de um possível esquema de “rachadinha” ligado aos desvios milionários investigados pela Operação Alvitre. As investigações da operação tiveram início em outubro de 2024, com a deflagração da primeira fase que apura o uso de empresas para desviar verbas de emendas parlamentares impositivas.

No decorrer das investigações, foram detidos diversos envolvidos, incluindo empresários e presidentes de instituições ligadas ao presidente da Câmara Municipal. A suspeita é de que recursos públicos tenham sido destinados para associações de fachada em outros municípios, sem estrutura ou competência técnica para executar os projetos contratados. O esquema investigado envolveu diversas organizações, como o Instituto de Gestão de Políticas Públicas do Nordeste (IGPN) e o Instituto Nacional de Ensino, Sociedade e Pesquisa (Inesp), que teriam recebido repasses milionários para cursos de capacitação.

Atualmente, várias pessoas relacionadas a essas instituições estão sob investigação, algumas delas já presas e outras foragidas. A prisão domiciliar concedida a Flávio do Cartório levanta questões sobre a justiça no combate à corrupção e aos desvios de verbas públicas. O desenrolar desse caso e as futuras investigações da Operação Alvitre serão acompanhadas de perto pela população de Ipojuca e de todo o estado de Pernambuco.

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