Facções criminosas atuam em pelo menos 25 municípios do Amazonas, de acordo com um estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados revelam que em pelo menos quatro desses municípios há a presença de duas ou mais organizações criminosas, demonstrando a expansão e consolidação desses grupos na região. O crescimento da atuação das facções é alarmante, alcançando 45% das cidades da Amazônia.
Segundo o estudo intitulado “Experiências promissoras de prevenção e enfrentamento ao crime e à violência na Amazônia”, os dados foram obtidos através da análise de informações de órgãos públicos, organizações sociais e pesquisas acadêmicas. Além disso, foram realizadas entrevistas com gestores, lideranças comunitárias e especialistas para compreender o cenário da violência na região e identificar medidas preventivas.
O Comando Vermelho (CV) é uma das facções presentes em 19 cidades do Amazonas, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC) atua exclusivamente no município de Coari. Já os Piratas do Solimões lideram ações criminosas em três municípios do estado, evidenciando a diversidade de grupos envolvidos no crime organizado na região.
De acordo com o estudo, o Amazonas se tornou estratégico para o Comando Vermelho devido à sua localização geográfica e conexões com rotas de narcotráfico provenientes da Colômbia e do Peru. O estado tem sido utilizado como base para o controle das principais rotas de tráfico de drogas, principalmente aquelas que utilizam os rios e cursos d’água como vias de transporte.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Amazonas tem adotado medidas estratégicas para combater o crime organizado e o tráfico de drogas em todo o estado. Operações contínuas, monitoramento permanente, apoio tecnológico e ampliação das fronteiras de atuação são algumas das ações implementadas para garantir a segurança da população e coibir atividades ilícitas.
Diversos municípios do Amazonas estão sob pressão devido à presença e atuação das facções criminosas. Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença e outras localidades enfrentam desafios relacionados ao tráfico de drogas, violência seletiva e expansão dos pontos de consumo. A vulnerabilidade social e a falta de controle migratório em algumas regiões contribuem para a propagação da criminalidade.
A logística fluvial na região do Alto Solimões tem sido explorada pelas facções criminosas para o transporte de drogas, armas e valores. A fronteira aberta entre Tabatinga e Letícia facilita o tráfico internacional, com rotas convergindo para o Solimões, que serve como ponto de distribuição para outras regiões do país. A falta de fiscalização e a porosidade geográfica tornam a região um importante polo do tráfico de drogas na Amazônia.
Em resumo, a presença e atuação das facções criminosas no Amazonas representam um desafio para as autoridades de segurança pública e para a população local. A consolidação desses grupos em diversos municípios da região demonstra a necessidade de ações coordenadas e efetivas para combater o crime organizado e garantir a segurança da população amazonense.




