Adiamento de visita de Tarcísio gera incômodo no entorno de Bolsonaro
O adiamento da visita que o governador de São Paulo, DE Freitas (Republicanos), faria a Jair Bolsonaro na Papudinha gerou incômodo entre aliados do ex-presidente.
Um interlocutor próximo definiu o movimento como “muito ruim” e que viu como uma falta de consideração e respeito com o ex-presidente – que havia solicitado a visita do governador por meio dos advogados. Também criticou a nota divulgada pelo Palácio dos Bandeirantes, por falar em adiamento sem propor uma nova data.
Um outro questiona: “Onde [o governador] vai estar que não pode visitar o líder, amigo dele, preso? O que seria mais importante do que isso?”.
O texto divulgado pelo governo DE diz que a visita foi “adiada a pedido do governador para cumprimento de compromissos em São Paulo” e que uma nova data será solicitada. A agenda não foi divulgada e ainda não há nova data.
Um interlocutor de Tarcísio relata que o motivo seria a pauta da conversa. O objetivo do encontro era visitar um amigo e relatar os esforços para transferi-lo para a prisão domiciliar, o que inclui contato com ministros do STF. Tarcísio não teria ficado satisfeito ao saber que seria cobrado a apoiar Flávio Bolsonaro de forma mais explícita.
O jornalista Gerson Camarotti também apurou que Tarcísio está “cansado de levar rasteiras” de integrantes da família Bolsonaro e que a decisão reflete o desgaste acumulado nos últimos meses com ataques vindos do núcleo bolsonarista, especialmente nas redes sociais.
A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e seria realizada nesta quinta-feira entre 8h e 10h. Mais cedo, o governador havia confirmado a visita em evento no interior paulista.
“Fico satisfeito DE ele ter me dado essa oportunidade, porque eu vou lá visitar um amigo, sobretudo um grande amigo, uma pessoa que eu tenho muita consideração. Vou lá manifestar a minha solidariedade, manifestar o meu apoio, ver se ele está precisando de alguma coisa e dizer sempre, reforçar, que ele vai sempre poder contar comigo”, disse Tarcísio.
Seria a primeira visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro desde que o ex-presidente confirmou, em carta, apoiar a pré-candidatura do filho senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Antes do anúncio, a possibilidade de Tarcísio ser o candidato da direita às eleições presidenciais era ventilada no meio político.
Na decisão, Moraes também autorizou as visitas de Diego Torres Dourado — cunhado do ex-presidente — e do pecuarista Bruno Scheid, vice-presidente do PL de Rondônia.




