O Exército da Dinamarca enviou, nesta quarta-feira (21), unidades de elite para a Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa localizado no Ártico. A mobilização, segundo a AFP, ocorre em meio a uma ampliação das atividades militares na região, que também passou a receber efetivos e equipamentos de outros países europeus. De acordo com o Comando Ártico Dinamarquês, a operação marca um momento inédito na atuação militar do país.
Segundo o comando militar, integrantes do Jaegerkorpset, unidade de forças especiais do Exército dinamarquês, foram deslocados para uma das áreas mais hostis da ilha. “Pela primeira vez, especialistas do Jaegerkorpset foram mobilizados para o terreno mais agreste da Groenlândia, na costa de Blosseville”, informou o Comando Ártico nesta quarta-feira. Ainda conforme a nota oficial, o objetivo da operação é “reforçar a presença no Ártico”, região que tem ganhado importância estratégica diante de mudanças climáticas e do aumento do interesse internacional.
A movimentação inclui também ações navais. De acordo com a emissora dinamarquesa DR, a fragata Peter Willemoes passou a integrar o exercício Arctic Endurance, que reúne militares de diversos países europeus e teve início na Groenlândia na semana passada. Além disso, o Comando Ártico informou que a fragata francesa Bretagne realiza exercícios conjuntos com o navio dinamarquês Thetis no Atlântico Norte, reforçando a cooperação militar entre aliados europeus na região.
Paralelamente às operações militares, o governo da Groenlândia publicou, nesta quarta-feira, novas orientações destinadas à população em caso de crise. O documento foi apresentado como uma medida preventiva. O ministro da Autossuficiência da Groenlândia, Peter Borg, descreveu o material como uma “apólice de seguro” à qual, segundo ele, “esperamos não ter que recorrer”.
O reforço militar ocorre em um contexto de maior atenção geopolítica sobre a Groenlândia. Nesta quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não usaria a força para se apoderar da ilha. Na mesma ocasião, o presidente estadunidense defendeu a abertura imediata de negociações para a aquisição da Groenlândia, o que voltou a colocar o território no centro do debate internacional sobre segurança e soberania no Ártico. Segundo Trump, caso as negociações não avancem, “os Estados Unidos não se esquecerão”.




