Brasil tem queda de assassinatos pelo 5º ano seguido: veja taxa de mortes por estado
Dados enviados pelos estados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam 34.086 mortes violentas em 2025, redução de 11% em relação a 2024. Amazonas teve a maior queda, com 33%, enquanto Tocantins, a maior alta: 17%.
Brasil tem queda nas mortes violentas intencionais, mas feminicídios batem recorde em 2025
O Brasil registrou queda nos assassinatos pelo quinto ano seguido: foram 34.086 casos de mortes violentas em 2025, contra 38.374 em 2024. O resultado representa uma taxa nacional de 16 mortes por 100 mil habitantes. Em 2025, eram 18 mortes a cada 100 mil habitantes.
Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) encabeçam o ranking das maiores taxas de mortes violentas a cada grupo de 100 mil habitantes. Enquanto São Paulo (5,4), Santa Catarina (6,4) e Distrito Federal (8,8) registraram as menores taxas.
Segundo os números computados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve uma queda de 11% no total de mortes violentas de 2024 para 2025.
Veja abaixo as taxas de mortalidade por estado:
O número de 34.086 não inclui ainda os dados referentes ao mês de dezembro nos estados de São Paulo e Paraíba. Esses números não haviam entrado no sistema do governo federal até a publicação da reportagem, e não há prazo definido para isso.
Entre janeiro e novembro, SP registrou em média 228 mortes violentas por mês. Na Paraíba, a média foi de 79 casos por mês. Se a média se mantiver em dezembro, seriam cerca de 300 casos a mais no balanço nacional. Ainda assim, haveria uma queda anual de 10,4%.
Entram na conta como mortes violentas os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela divulgação.
A queda nacional nas mortes violentas ocorre em 21 dos 27 estados, com destaque para o Amazonas, com redução de 33% em homicídios, feminicídios, latrocínios. Em seguida aparecem o Mato Grosso do Sul (-28%), Paraná e Rio Grande do Sul (ambos com recuo de 24%).
O pesquisador da Universidade do Estado do Pará e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Aiala Couto afirma que há um controle do crime por parte do Comando Vermelho no Amazonas.
Cinco estados e o DF vão contra a tendência nacional de queda nos homicídios e registraram alta nas mortes violentas de 2024 para 2025: Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%), Roraima (9%), Acre (6%), Distrito Federal (5%) e Rio de Janeiro (2%).
Tanto TO quanto RN enfrentam guerras de facções, segundo especialistas ouvidos pelo De. Couto afirma que no Tocantins a alta ocorre pelo conflito entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a antropóloga Juliana Melo, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a alta no estado ocorre após o CV romper parceria com uma facção local.
A queda nacional nos homicídios também ocorreu em todas as cinco regiões do país.
Sul: – 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
Centro Oeste: – 18% (de 2.682 para 2.204);
Norte: – 11% (de 4.304 para 3.829);
Nordeste: – 10% (de 17.052 para 15.412);
Sudeste: – 8% (de 10.401 para 9.586).
Considerando os estados, as maiores reduções foram em Mato Grosso do Sul (- 28%), Paraná e Rio Grande do Sul (- 24% em ambos os casos).
Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) lideram quando se considera o número absoluto de mortes violentas. Acre (204), Acre (179) e Roraima (139) tiveram os números mais baixos.
Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.
O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.
Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios.
Redução de assassínios é tendência
Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassínios.
“Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados”, diz.
Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.
“É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda”, afirma.
O número de feminicídios bateu recorde em 2025, quanto em comparacao com 2024, segundo dados do ministério, sendo registrado 1.470 casos. A tipificação de feminicídio foi criada em 2015, sendo caracterizado quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher.
Os números devem crescer mais, com os dados de dezembro de São Paulo e Paraíba, que ainda não foram atualizados na base do governo federal.
Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que aumentou as penas para quem comete feminicídios, que podem variar de 20 a 40 anos de prisão.




