Acordo anunciado por Trump sobre a Groenlândia envolve concessões territoriais
pontuais
A ideia contou com o apoio do secretário-geral da Otan, Mark Rutte
21 de janeiro de 2026, 21:57 hAtualizado em 21 de janeiro de 2026, 22:07 h
Trump participa de um briefing à mídia para marcar o primeiro ano de seu segundo
mandato 20/01/2026 (Foto: Nathan Howard/Reuters)
247 – A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) discutiu, nesta
quarta-feira (21), uma proposta segundo a qual a Dinamarca concederia aos
Estados Unidos a soberania sobre pequenas áreas da Groenlândia destinadas à
instalação de bases militares estadunidenses. As informações foram reveladas em
reportagem do The New York Times, com base em relatos de três autoridades graduadas familiarizadas com a reunião do grupo.
As fontes falaram sob condição de anonimato por se tratar de um tema diplomático
sensível e indicaram que a iniciativa contou com o apoio do secretário-geral da
Otan, Mark Rutte. Dois participantes do encontro compararam a ideia ao modelo
das bases britânicas em Chipre, consideradas território do Reino Unido apesar de
estarem fora do continente europeu.
Ainda segundo a reportagem, a discussão ocorreu no mesmo dia em que o presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão das ameaças de impor
tarifas de 10% contra a Dinamarca e outros países europeus. As medidas vinham
sendo usadas como instrumento de pressão para garantir maior controle
norte-americano sobre a Groenlândia.
DECLARAÇÕES DE TRUMP
Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump afirmou que ele e Mark Rutte
chegaram a um entendimento preliminar. “Formamos a estrutura de um futuro acordo
com respeito à Groenlândia e, de fato, a toda a região do Ártico”, escreveu o
presidente dos Estados Unidos. Em seguida, acrescentou: “Essa solução, se
concretizada, será excelente para os Estados Unidos da América e para todas as
nações da Otan”.
Apesar do anúncio, o New York Times ressalta que Trump não apresentou detalhes
concretos sobre o conteúdo do suposto acordo nem declarou explicitamente que os
Estados Unidos passariam a ser proprietários da Groenlândia. O secretário-geral
da Otan e as autoridades dinamarquesas também não divulgaram informações
adicionais sobre os termos da proposta.
A GROENLÂNDIA
A Groenlândia tem cerca de 56 mil habitantes e ocupa uma posição estratégica
entre os Estados Unidos e a Rússia. O território abriga expressiva riqueza
mineral, incluindo diversos metais, além de reservas de petróleo e gás. Também
concentra hidrocarbonetos utilizados na produção de combustíveis, bem como ouro
e urânio, empregado tanto na geração de energia nuclear quanto na fabricação de
armamentos atômicos.
Apesar do interesse internacional, povos indígenas e setores do governo local
mantêm oposição consistente à exploração de petróleo e gás natural na ilha,
principalmente por motivos ambientais. A eventual ampliação da presença militar
estrangeira no território tende a intensificar debates internos e internacionais
sobre soberania, segurança e preservação ambiental na região do Ártico.




