Com aumento de impostos e expansão da economia, arrecadação federal sobe em 2025
e atinge maior valor em 31 anos
Arrecadação somou R$ 2,88 trilhões em 2025, com aumento real de 3,75% frente ao
ano anterior. Os números são da Secretaria da Receita Federal.
Arrecadação federal bate novo recorde histórico no ano de 2025
A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas
somou R$ 2,88 trilhões em todo ano de 2025, informou nesta quinta-feira (22) a
Receita Federal.
Em valores corrigidos pela inflação, a arrecadação totalizou mais de R$ 2,67
trilhões no ano passado, contra R$ 2,47 trilhões em 2024. Com isso, houve um
aumento real de 3,75%.
Essa também foi a maior arrecadação já registrada em um ano fechado desde o
início da série histórica da Receita Federal em 1995 ― ou seja, em 31 anos.
O resultado ocorre após o governo e o congresso terem adotado uma série de
medidas para elevar a arrecadação. Entre as ações tomadas, estão:
– a tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das “offshores” (exterior);
– mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
– aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;
– retomada do voto de confiança no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
(Carf);
– limitação no pagamento de precatórios (decisões judiciais);
– Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas);
– Reoneração gradual da folha de pagamentos;
– Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
– Aumento do IOF sobre crédito e câmbio.
No fim do ano passado, o governo e o Congresso Nacional elevaram a tributação
dos juros sobre capital próprio das empresas, das “fintechs” e das bets,
mas esses aumentos não impactaram na arrecadação de 2025.
Além das medidas de aumento de impostos, o Fisco argumenta que o crescimento
da economia também contribuiu para a arrecadação recorde de 2025, como mostram
números da produção industrial, da venda de bens e serviços, da massa salarial e
das importações.
Equilíbrio das contas
A alta da arrecadação esteve na mira do governo para tentar zerar o rombo das
contas públicas em 2025. O resultado das contas públicas do ano passado ainda
não foi divulgado.
Porém, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual previsto no
arcabouço fiscal (a nova regra das contas públicas), de cerca de R$ 31 bilhões.
Além disso, há outros abatimentos da meta fiscal do ano passado aprovados pelo
Legislativo:
– estimativa de R$ 500 milhões para projetos estratégicos;
– R$ 40,64 bilhões em precatórios);
– R$ 3,31 bilhões para o ressarcimento de aposentados e pensionistas que
tiveram descontos indevidos.
Com isso, as contas do governo podem apresentar um rombo, estimado inicialmente,
de até R$ 75,4 bilhões sem que a meta seja formalmente descumprida.
Esse valor pode ser alterado considerando o valor efetivo pago em precatórios
fora da meta, além de exceções do fundo social e do valor de projetos
estratégicos em defesa – que embora previsto em R$ 500 milhões no relatório de
orçamento, podem atingir até R$ 3 bilhões.
O elevado valor para despesas fora da meta fiscal é criticado por analistas
como um fator que dificulta o equilíbrio das contas do governo.
O Tesouro Nacional, por exemplo, prevê as contas no vermelho até 2027, mesmo
com a necessidade de novos aumentos de impostos, e crescimento da dívida
pública
– indicador de capacidade de pagamento acompanhado com atenção pelo mercado
financeiro.




