A Polícia Civil de São Paulo encontrou na casa de Rita de Cassia Adriana Prado um caderno considerado importante para o desenrolar das investigações de um esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis, estádio do São Paulo. Nele, há, entre anotações diversas, indícios de como funcionava a trama.
O objeto foi encontrado durante o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas à investigação que apura a exploração ilegal de camarotes em dias de shows, revelada pelo DE. Rita de Cassia Adriana Prado aparece na ligação obtida com exclusividade pelo DE em dezembro. Ela, de acordo com a gravação, fazia parte de um esquema com Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e até então diretora feminina, cultural e de eventos.
O conteúdo do caderno apreendido pela Polícia Civil é mantido em sigilo, como toda a investigação, e está sendo analisado pelos investigadores, mas o DE apurou que, nele, há mais detalhes do esquema que desviava pelo menos um camarote do São Paulo. A operação de quarta-feira foi realizada pela 3ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Desmanches Delituosos (DICCA) por ordem expedida pelo D. Juízo das Garantias da Capital.
Os alvos dos mandados são, também, Douglas Schwartzmann e Mara Casares. Na casa da ex-esposa do presidente do São Paulo foram apreendidos R$ 28 mil em espécie e uma CPU. Em nota, o São Paulo disse que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”.
Conselheiros do São Paulo protocolaram em 23 de dezembro um requerimento com 57 assinaturas pedindo a convocação de reunião extraordinária para discutir o impeachment de Julio Casares. Depois de alguns escândalos e da investigação, a reunião para votação da destituição do presidente teve aprovação por maioria dos conselheiros. Casares foi afastado e agora aguarda nova votação, desta vez dos sócios, para confirmar ou não a destituição do cargo de presidente do São Paulo.
A Polícia Civil investiga, por exemplo, a razão do recebimento de R$ 1,5 milhão por depósitos em dinheiro nas contas de Julio Casares. Outra investigação tenta explicar a razão de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, totalizando R$ 11 milhões. A pressão em Casares aumentou com a reportagem do DE que revelou exploração clandestina de um camarote do Morumbis envolvendo dois diretores da situação, hoje afastados.




