História de São José dos Pinhais: vestígios arqueológicos revelam ocupação ancestral há 10 mil anos

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História de São José dos Pinhais começa há 10 mil anos, apontam pesquisas arqueológicas

Levantamentos identificam 41 sítios arqueológicos no município, revelando a presença contínua de povos originários muito antes da colonização. A história de São José dos Pinhais antecede, em muito, o marco oficial de sua fundação colonial. Embora o município contabilize cerca de 335 anos de história registrada, evidências arqueológicas indicam que o território era ocupado por povos originários há aproximadamente 10 mil anos, muito antes da chegada dos colonizadores. Esses primeiros habitantes pertenciam, principalmente, ao que alguns pesquisadores classificaram como pertencentes à tradição Umbu.

De acordo com levantamento da historiadora Franciele Sabchuk, São José dos Pinhais possuía até a data da pesquisa publicada em 2025, 41 sítios arqueológicos identificados. A maior parte deles foi localizada durante a implantação de grandes empreendimentos, como a instalação da fábrica da Renault, no bairro Borda do Campo, onde foram identificados mais de dez sítios arqueológicos, com materiais que chegam a datar de cerca de 2 mil anos antes de Cristo. Os trabalhos de escavação realizados no complexo industrial Renault resultaram na formação de 44 coleções arqueológicas, que reúnem um total de 20.736 peças, entre materiais líticos, cerâmicos, metálicos, vítreos e ósseos. A diversidade dos vestígios permitiu identificar que, além dos grupos da tradição Umbu, o território também foi ocupado posteriormente por populações da tradição ceramista Itararé-Taquara.

Entre os vestígios mais recorrentes estão pontas de flechas e lanças confeccionadas em pedra ou osso, típicas dos grupos da tradição Umbu. Já os povos da tradição Itararé-Taquara, que ocuparam a região em um período mais recente, dominavam a técnica da cerâmica, utilizada na produção de vasilhames, o que explica a grande quantidade de fragmentos cerâmicos encontrados em alguns sítios. — explica a historiadora Franciele. O primeiro sítio arqueológico identificado e estudado em São José dos Pinhais foi o Céu Azul, descoberto em 1970 na Serra do Mar, nas proximidades do Rio Pequeno, afluente do Rio Iguaçu. A pesquisa teve início a partir da iniciativa do arqueólogo José Wilson Rauth. No entanto, à época, a localização exata do sítio não foi devidamente registrada, o que levou à sua redescoberta somente em 2015, possibilitando a retomada dos estudos com o uso de tecnologias arqueológicas mais recentes.

O sítio arqueológico Céu Azul tem grande relevância histórica, pois foi o primeiro a ser escavado no município e também aquele que apresenta os vestígios mais antigos, com datas que chegam a cerca de 10 mil anos antes de Cristo. Com a redescoberta, novos materiais foram identificados e seguem em processo de catalogação e com grande potencial investigativo. — destaca Franciele. Os sítios arqueológicos desempenham papel fundamental na compreensão da história do território ocupado por São José dos Pinhais, pois permitem o estudo dos períodos mais remotos da presença humana na região. Ferramentas de pedra, fragmentos cerâmicos e vestígios de áreas de ocupação constituem os principais registros materiais deixados por esses povos.

Para a historiadora, o conjunto de evidências já permite afirmar, com segurança, a presença longa e contínua de populações indígenas no território são-joseense. “O desafio agora é transformar esses dados arqueológicos em narrativas históricas que reconheçam os povos originários como protagonistas da história, e não apenas como elementos de um passado distante ou folclorizado”, conclui. Além das escavações realizadas durante a implantação do polo industrial da Renault, vestígios arqueológicos também foram identificados em áreas como o Aeroporto Internacional Afonso Pena, a Barragem do Miringuava e durante a instalação de torres de alta tensão.

O Museu Municipal Atílio Rocco, de São José dos Pinhais, disponibiliza conteúdo online sobre os povos originários, acessível por meio de seu site oficial. O museu também prevê, para os próximos meses, a realização de uma exposição presencial dedicada aos sítios arqueológicos do município, com a apresentação de alguns artefatos provenientes das escavações.

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