Empresas de tecnologia investem recordes no lobby em Washington para moldar agenda de inteligência artificial e ampliar mercado nos EUA

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As empresas de tecnologia estão investindo valores recordes em Washington para moldar a agenda de inteligência artificial, reduzir restrições e ampliar o acesso a mercados estratégicos. O Vale do Silício está ajustando sua estratégia política para lidar com o segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apostando em gastos históricos com lobby e uma relação direta de elogios e aproximação pessoal com o chefe do Executivo. Relatos da agência Bloomberg apontam para a dependência crescente do setor tecnológico das decisões federais, especialmente diante do papel central que a inteligência artificial está desempenhando na economia norte-americana e em diversos aspectos da vida cotidiana.

Durante o ano de 2025, grandes empresas como Nvidia, OpenAI, Meta, Amazon e Google reforçaram seus departamentos de relações governamentais, alinhando seus interesses corporativos à agenda política do presidente. Levantamentos feitos pelo Bloomberg News indicam que essas empresas investiram mais de US$ 109 milhões em lobby, ultrapassando pela primeira vez a marca dos US$ 100 milhões. Paralelamente, incorporaram aliados próximos de Trump em suas equipes em Washington, marcando presença desde o início de seu segundo mandato, com participação em cerimônias na Casa Branca e eventos exclusivos.

A empresa Meta liderou os gastos em lobby em 2025 com mais de US$ 26 milhões, seguida pela Amazon com mais de US$ 17 milhões e o Google com mais de US$ 13 milhões. O investidor David Sacks atuando como czar de inteligência artificial da Casa Branca e o apoio público de Trump aos investimentos do setor marcaram uma convergência entre os interesses do Vale do Silício e a agenda governamental de inteligência artificial. A Nvidia, por exemplo, obteve sinal verde para exportar seus chips avançados H200 para a China, além de conseguir retirar cláusulas restritivas sobre exportação de semicondutores.

Além do lobby direto, as big techs estão prometendo investimentos significativos em troca de apoio político. A Apple, por exemplo, viu as tarifas sobre produtos chineses serem suspensas após o compromisso do CEO Tim Cook de investir US$ 600 bilhões domesticamente. Empresas como Meta, Google, Microsoft e Apple também se comprometeram a financiar a reforma do salão de baile da Casa Branca. No entanto, o cenário para 2026 apresenta desafios, com pressões da OpenAI por mudanças em créditos fiscais, preocupações da Amazon com tarifas e parlamentares buscando barrar exportações de chips para a China.

O relacionamento entre a indústria de tecnologia e a administração Trump continua em desenvolvimento, com contratações estratégicas de ex-integrantes do governo e figuras próximas ao presidente em cargos-chave de relações institucionais. Apesar do aumento nos gastos com lobby e nas manobras políticas, as empresas de tecnologia continuam gerando grandes receitas operacionais, permitindo que absorvam os custos advindos dessas estratégias. A proximidade entre os líderes do setor e o governo atual é evidente, com elogios mútuos e uma cooperação cada vez mais estreita visando o crescimento e a proteção dos interesses das empresas de tecnologia nos EUA e no cenário internacional.

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