Polícia Civil prende suspeito de vender atestados médicos falsos no Rio por até R$ 75
Investigação aponta que esquema funcionava há 5 anos, com dados de médicos e hospitais públicos e privados.
1 de 2 Homem foi preso suspeito de vender atestados médicos falsos no Rio — Foto: Reprodução
Homem foi preso suspeito de vender atestados médicos falsos no Rio — Foto: Reprodução
A Polícia Civil prendeu um suspeito de atuar em um esquema de falsificação e venda de atestados médicos no Rio de Janeiro.
A prisão foi realizada por agentes da 25ª DP (Todos os Santos) após o avanço das investigações, que começaram a partir da denúncia de uma médica que teve seus dados utilizados de forma fraudulenta.
O caso começou a ser apurado em 2024, quando uma médica registrou ocorrência ao descobrir que um atestado com seu nome e número de registro profissional havia sido apresentado a uma empresa.
A profissional foi procurada pelo empregador para confirmar a veracidade do documento, o que levantou a suspeita de falsificação.
Na época, os investigadores conseguiram identificar o responsável, mas o pedido de prisão não foi deferido.
No final de 2025, a médica voltou a ser informada que seus dados estavam sendo utilizados em atestados falsos e fez um novo registro. A partir disso, a Polícia Civil retomou as diligências e chegou mais uma vez ao mesmo suspeito.
Durante a investigação, os agentes localizaram uma mulher que admitiu ter comprado um atestado falso. As mensagens encontradas no celular dela mostram toda a negociação.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
2 de 2 Mensagens apreendidas mostram que o suspeito oferecia atestados médicos falsos usando o nome Bruce — Foto: Reprodução
Mensagens apreendidas mostram que o suspeito oferecia atestados médicos falsos usando o nome Bruce — Foto: Reprodução
Segundo a Polícia Civil, o esquema funcionava há cerca de 5 anos, principalmente na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Os interessados podiam escolher o motivo do afastamento do trabalho, a quantidade de dias e até a data de validade do atestado médico.
Os valores variavam conforme o período solicitado: um dia de afastamento custava R$ 25, enquanto cinco dias saíam por R$ 75. Toda a negociação era feita por meio de aplicativos de mensagens, sem que houvesse qualquer consulta médica.
A fraude envolvia o uso de receituários e carimbos falsificados, com dados de médicos e de hospitais públicos e particulares. Um dos documentos apreendidos era idêntico ao modelo oficial disponibilizado pela Prefeitura do Rio e indicava, de forma falsa, uma consulta em um hospital da Zona Sul.
A investigação não apontou a participação dos hospitais citados. A falsificação dos papéis timbrados fazia parte da estrutura do esquema.
Após ser identificado, o homem foi intimado e compareceu à delegacia de Todos os Santos. De acordo com a polícia, ele confessou a prática criminosa e afirmou que assumiu a atividade após a morte do pai, que já atuava no esquema. Na residência do suspeito, os agentes encontraram diversos carimbos com dados falsos de médicos.
Com as provas reunidas ao longo da investigação, a Polícia Civil solicitou a prisão do suspeito. O pedido foi aceito pela Justiça, e o mandado foi cumprido.
O caso segue em investigação para identificar outros envolvidos.




