Depois da revelação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Bezerra, sobre a descoberta tardia de que as carteiras de crédito adquiridas do Banco Master eram de terceiros, as investigações tomaram um novo rumo. Bezerra afirmou que o banco só teve ciência desse fato em maio, quando cartas contratuais foram revisadas e questionamentos sobre a origem dos ativos foram formalizados. Por outro lado, Daniel Vorcaro, proprietário do Master, garante que desde o início das negociações informou sobre a participação de terceiros no processo, incluindo a empresa Tirreno, consorciadora dos créditos de cerca de vinte correspondentes bancários distintos.
Essas informações vêm à tona através de uma acareação realizada no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Federal, com acesso à transcrição dos depoimentos prestados. O mercado financeiro fica atento às movimentações que envolvem o Banco Master e o BRB, principalmente diante da crise de liquidez enfrentada pela instituição privada. A mudança de postura do BRB em relação à origem das carteiras evidenciou a necessidade de maior rigor na análise dos contratos, em especial quando um padrão documental divergente foi identificado.
A revelação de que a empresa Tirreno atuava como consolidadora dos créditos trazidos por múltiplos correspondentes bancários fez o BRB rever sua avaliação de riscos financeiros e operacionais. O aumento da provisão para perda esperada das carteiras, devido à mudança de 10-15% para 30%, reflete a preocupação em mitigar possíveis inadimplências. A valorização dos ativos de maneira mais conservadora tem o intuito de proteger o banco de eventuais perdas futuras, sinalizando um gerenciamento cauteloso dos riscos.
Por outro lado, Daniel Vorcaro defende a estratégia adotada pelo Master diante da restrição de liquidez enfrentada, assegurando que a operação foi controlada através de planejamento e substituição de ativos. A cobertura principalmente por substituições e garantias mostra o esforço em minimizar os riscos e preservar a solidez das transações. A investigação concentra-se em esclarecer os detalhes da compra das carteiras de crédito e a forma como foram tratadas pelos envolvidos, em especial diante da declaração de Vorcaro de não ter pago nenhum valor por carteiras de R$6 bilhões.
A análise minuciosa conduzida pelo BRB resultou na identificação de aproximadamente R$800 milhões vinculados a ativos voláteis, cuja precificação ainda dependia de validação de mercado. A decisão de elevar a provisão e o deságio relevante na operação refletem a preocupação em garantir a solidez financeira diante das incertezas. A postura cautelosa adotada pelo banco frente à situação da Tirreno e do Banco Master demonstra a importância de uma gestão de riscos eficiente no setor financeiro, visando a preservação da integridade e estabilidade das operações realizadas.




