Lula busca fortalecer laços com Ásia em meio a ofensivas políticas de Trump: uma estratégia para diversificar parcerias internacionais.

lula-busca-fortalecer-lacos-com-asia-em-meio-a-ofensivas-politicas-de-trump3A-uma-estrategia-para-diversificar-parcerias-internacionais

Em meio a ofensivas políticas e comerciais de Trump, Lula busca fortalecer laços com Ásia

Petista tem viagem marcada para a Coreia do Sul neste primeiro semestre. Para especialista, multilateralismo enfrenta ‘pior crise das últimas décadas’ com ações dos EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado diversificar parcerias internacionais diante do cenário de crescente tensão internacional decorrente de ofensivas políticas e comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para fortalecer as relações com a Ásia, o petista tem uma viagem marcada à Coreia do Sul, onde tentará fechar acordos econômicos diplomáticos.

A movimentação do petista ocorre no momento em que Trump amplia discursos protecionistas e pressiona aliados históricos, o que tem gerado instabilidade no comércio global e reconfigurado alianças geopolíticas.

O professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel considera que o multilateralismo está “na pior crise das últimas décadas”, e que atitudes como as de Donald Trump são do “mundo em que prevalece a lei da selva”.

Veja os vídeos que estão em alta no DE
Veja os vídeos que estão em alta no DE

>”É um mundo em que poder militar é mais relevante e o Brasil sempre tem apostado no multilateralismo. Esse multilateralismo agora está em crise, a pior das últimas décadas”, disse o analista ao DE.

Stuenkel diz também ver uma tendência de disputa ainda maior entre grandes potências com reflexos no mundo e na América Latina.

No Planalto, a leitura é de que o contexto abre espaço para o Brasil reforçar sua atuação internacional com base no multilateralismo e na ampliação de mercados fora do eixo tradicional Estados Unidos – Europa.

Apesar da crise na Venezuela e das decisões de Trump, o especialista acredita que a América do Sul continua como uma região com baixo risco geopolítico, pelo fato do Brasil ter boas relações com praticamente todos os países do mundo.

A visita à Coreia do Sul faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de aprofundar laços com países asiáticos, considerados parceiros-chave em áreas como comércio, tecnologia, indústria, energia e transição verde.

A expectativa é que a viagem resulte em acordos e sinalizações políticas que reforcem o protagonismo do Brasil em um cenário global cada vez mais fragmentado.

1 de 1 O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em dezembro de 2025 — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Do ponto de vista econômico, a aproximação com a Ásia é vista, dentro do governo e do Itamaraty, como uma forma de reduzir a dependência de mercados tradicionais e proteger o país de eventuais choques provocados por medidas protecionistas dos Estados Unidos. A exemplo do que aconteceu no ano passado, com o tarifaço de Donald Trump.

A Coreia do Sul é considerada um parceiro estratégico para o Brasil em setores como indústria automotiva, semicondutores, tecnologia, infraestrutura e energia limpa, além de ser um importante investidor estrangeiro em potencial.

>”A Coreia do Sul, por exemplo, é um grande produtor de armamentos. O Brasil também precisa diversificar os seus fornecedores diante um cenário global muito imprevisível. Então, acho que tem um grande potencial para essa relação bilateral”, diz Stuenkel.

A expectativa é ampliar o fluxo comercial, atrair investimentos e abrir espaço para acordos que fortaleçam a competitividade da economia brasileira em um cenário global mais instável.

Os movimentos recentes no cenário internacional sinalizam o início de uma reconfiguração da ordem global.

Enquanto os Estados Unidos adotam uma postura de confronto, a China avança de forma discreta, ampliando sua influência econômica, comercial e diplomática.

>”Estamos caminhando para um sistema efetivamente multipolar. Os Estados Unidos e a China são as duas potências dominantes, mas temos polos como a União Europeia e a Índia que que, estão em processo de aumentar muito sua autonomia estratégica”, avalia Stuenkel.

Recentemente, o presidente Lula e o presidente chinês conversaram por telefone, por cerca de 45 minutos.

Os líderes trataram sobre a necessidade de proteger interesses e fortalecer o papel da Nações Unidas no cenário de conflito geopolítico.

A conversa ocorreu no mesmo dia em que Trump lançou oficialmente o seu Conselho da Paz. Os EUA também protagonizam um momento de tensão geopolítica após invadirem a Venezuela e capturarem o presidente Nicolás Maduro.

Semanas depois, Trump já ameaçou outras ofensivas, no Irã e na Groenlândia.

“O comportamento do Brasil em relação à pressão americana, por exemplo, só pode ser explicado pela ascensão da China. O Brasil hoje depende muito menos dos Estados Unidos, porque tem uma ampla cooperação com a comercial com a China”, concluiu o professor Oliver Stuenkel.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp