Dezenas de religiosos são presos em Minnesota durante manifestações contra agressões do ICE
Greve e fechamento do comércio marcaram as manifestações contra os abusos da política imigratória de Donald Trump, em um dia tumultuado em Minnesota. Os protestos envolvendo o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) resultaram na detenção de diversos clérigos que participavam de atos contra as violações de direitos humanos praticadas pela administração Trump. As prisões ocorreram durante uma manifestação no Aeroporto Internacional de Minneapolis–Saint Paul, no contexto de um dia de ações contra as medidas adotadas pelo ICE.
Aproximadamente na sexta-feira (23), ocorreram diversos protestos, prisões e paralisações em Minnesota, como resposta à intensificação das atividades do ICE no estado. A ação dos membros do clero detidos durante os protestos foi reportada pela agência Reuters. Os religiosos, enquanto entoavam hinos e oravam durante a manifestação no aeroporto, foram surpreendidos e presos pelas autoridades locais.
Denominado de “ICE OUT!” (ICE FORA!), o dia de protestos em Minnesota envolveu, também, o fechamento de estabelecimentos comerciais, bem como paralisações e marchas em diversas localidades do estado. Os manifestantes se mobilizaram em diversas frentes para marcar posição contra a crescente presença dos agentes federais de imigração nas Cidades Gêmeas, Minneapolis e Saint Paul. A adesão de trabalhadores e a suspensão de atividades em estabelecimentos comerciais reforçaram a magnitude das manifestações.
Os confrontos entre o ICE e os manifestantes já duravam semanas, gerando uma crescente tensão que culminou nas manifestações na sexta-feira. Líderes políticos locais foram solicitados a cooperar para reduzir os conflitos havidos em atos anteriores. Os participantes dos protestos destacaram a necessidade de responsabilização do agente do ICE responsável pelo assassinato de Renee Good e expressaram suas reivindicações durante a marcha em Minneapolis.
Durante os protestos, dezenas de religiosos foram detidos pelas autoridades, inclusive devido à obstrução realizada pelos manifestantes em vias importantes. A Faith in Minnesota, associação que esteve envolvida na articulação dos atos, demandou que as empresas do setor aéreo se posicionem e exijam a imediata cessação da expansão das operações do ICE no estado. Tamanha foi a mobilização que a ação foi reconhecida como uma das maiores demonstrações de oposição ao governo federal até então.
As ações do governo Trump relacionadas às operações do ICE em Minnesota levaram a um aumento dos protestos e resistência popular. O protesto contínuo, com apoio de cidadãos utilizando apitos e instrumentos musicais, resultou em confrontos entre manifestantes e agentes do ICE, com o uso de gás lacrimogêneo. As autoridades de alto escalão posicionaram-se a favor do ICE, com a visita do vice-presidente JD Vance à Minneapolis, enfatizando os esforços do governo para “reduzir a temperatura” dos conflitos.
Os manifestantes, diante das adversas condições climáticas, demonstraram resilência em relação às ações do ICE no estado. Patty O’Keefe, funcionária de uma ONG, destacou a importância de manter a resistência, apesar das dificuldades climáticas. Empresas locais, por sua vez, evitaram comentar publicamente as operações de imigração, gerando críticas de parlamentares e dúvidas quanto às orientações dadas aos funcionários. A mobilização popular em Minnesota evidenciou a solidariedade e a determinação dos cidadãos em desafiar as políticas de imigração impostas, dando voz às muitas vozes da comunidade.




